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Brasil

SEMANA DO SURF: 3 MESES DE SURFGURU PRO GRÁTIS

Conrado Reis

Em homenagem ao Dia Internacional do Surf, nós contamos um pouco sobre a história e o que pensamos sobre esse esporte tão incrível, E quer saber? Não vejo a hora e voltar para água!

O primeiro maluco a subir numa prancha

Bom, dia 18 de junho é o Dia Internacional do Surf e é sempre uma oportunidade para nós agradecermos a possibilidade de poder deslizar sobre as ondas. Esse ano, nós quisemos fazer um pouco diferente: estamos sempre em transformação e resolvemos fazer um texto para poder explicar o que nós pensamos sobre o Surf hoje.

Foram as muitas mudanças que rolaram na relação esporte x qualidade de vida x trabalho nos últimos 100 anos que nos motivaram a explicar para vocês um pouco do que estamos botando em prática aqui dentro do Surfguru e o qual a relação que isso tem com o esporte que amamos.

Antes de tudo, vale ressaltar que estamos com uma promoção única nessa semana, até o dia 18 de junho em comemoração ao Dia Internacional do Surf. Para assinar o Surfguru PRO durante os próximos 7 dias é só usar o cupom SEMANADOSURF para ter 90 dias grátis antes da primeira cobrança ser feita!

Primeiro, para começar essa história, precisamos ir um pouco para trás e entender de onde saiu essa ideia de deslizar sobre as ondas. Apesar de ainda não ter uma história 100% definida, uma coisa é certa: o surf (ou deslizar com as ondas) surgiu no Oceano Pacífico. As teorias são diferentes sobre quando e qual povo inventou o esporte.

Tem uma teoria que dá crédito aos povos polinésios (responsáveis por ocupar quase todas as ilhas do Pacífico como o Havaí, Taiti, Ilha de Páscoa, etc). Os habitantes dessas ilhas possuíam hábitos de pesca e navegação bem desenvolvidos pela necessidade de buscar alimentos e atravessar as grandes distâncias entre ilhas. Já se sabe que pelo menos no século XV (antes dos portugueses chegarem ao Brasil) o surf já era praticado pelos povos polinésios.

Uma outra teoria dá crédito aos povos nativo-americanos do Pacífico, especificamente da região entre o Peru e a Colômbia. Por lá, os povos originários navegavam em “caballitos de totora”, uma espécie de canoa feita de palha, e surfavam as ondas do litoral. O registro da invenção dos “caballitos” é de pelo menos 2 mil anos, podendo chegar a 3 mil anos. Então, o surf pode ser tão antigo quanto esses registros!

O que nós sabemos com certeza é que a primeira documentação oficial do surf se dá na expedição de James Cook (navegador britânico) ao chegar nas ilhas do Havaí e se deparar com pessoas deslizando sobre as ondas no século XVIII a bordo das canoas tradicionais da polinésia.

foto da frota de cook chegando no taiti

'[A] view of Maitavie Bay, [in the island of] Otaheite [Tahiti]' 

Resolution and Adventure with fishing craft in Matavai Bay, painted by William Hodges in 1776, shows the two ships of Commander James Cook's second voyage of exploration in the Pacific at anchor in Tahiti.

A partir de então, com a ocupação das ilhas do Pacífico pelos povos europeus, a prática começou a sofrer com alguns problemas. Como é de costume em ações de colonização, os hábitos, cultura e costumes dos povos nativos sofreram com a perseguição dos novos ocupantes que tentavam converter os polinésios a cultura da sociedade europeia.

Foi só depois da virada do século XX, entre 1900 e 1930, que o esporte voltou a ter algum tipo de reconhecimento e lentamente começou um processo para tomar as praias de todo o mundo. E aqui temos que destacar duas personalidades muito importantes para essa disseminação: Duke Kahanamoku e Hollywood. O primeiro foi um bicampeão olímpico de natação e mostrou ao mundo o que uma pessoa que treinava remando sobre uma tábua podia fazer. Já o cinema americano foi responsável por disseminar o esporte pelo mundo através dos filmes, mostrando sempre o lado explorador, jovem, atlético e divertido do surf, com os exemplos mais marcantes sendo Endless Summer e Maldosamente Ingênua. Nesse ponto, o surf já teria dominado a Califórnia até os anos 50 entrando de vez dentro da cultura ocidental.

Duke Kahanamoku

Duke Kahanamoku surfando

imagem do cartaz de "The Endless Summer"

imagem do cartaz de "The Endless Summer"

No Brasil, o esporte chegou através da família Rittscher, em 1930, de origem nos EUA. Os filhos da família, Thomas e Margot, são considerados os pioneiros do surf no país, tendo eles mesmos fabricado as primeiras pranchas de surf no Brasil usando como base revistas americanas.

A partir daí, com o avanço da cultura norte-americana sob a sociedade brasileira, o esporte foi ganhando cada vez mais praticantes e a atenção da juventude. No Rio de Janeiro, ainda capital do país, a praia do Arpoador foi se tornando o ponto de encontro do surf brasileiro. Por ser a capital do país, era comum ter filhos de embaixadores e uma maior comunidade de estrangeiros, tornando a adesão dos novos praticantes mais acelerada.

thomas e margot rittscher

Thomas e Margot Rittscher

Já na década de 50 era possível ver vários jovens surfando com pranchas de isopor ou madeirite. Até que nos anos 60 as primeiras pranchas de fibra de vidro começaram a ser importadas dos Estados Unidos e o surf nacional começava a ter uma maior organização como esporte. Um passo importante para isso foi a fundação da primeira associação de surf do país, a Associação de Surf do Rio de Janeiro, em 15 de Julho de 1965.

Aqui no Surfguru PRO, a gente queria muito ter acesso a todos os dados desse tempo e saber sobre os swells que quebraram ao longo dos milhares de anos. Ainda não podemos mostrar isso, mas temos mais de 10 anos de condições no nosso Histórico de Previsão do Surfguru PRO. Comparar uma ondulação que está chegando com uma ondulação que já quebrou é a melhor maneira de você saber como uma vai ser o próximo swell.

O Surf desbrava o Brasil e seu litoral

A popularização do surf em plena década de 60, abraçado pela juventude atrás do espírito de liberdade e aventura, foi de encontro ao momento político da época. Em tempos de repressão (principalmente após o AI-5 em 1968), a cultura da praia passou a ser severamente combatida e os praticantes do esporte foram ligados a pessoas “vagabundas, maconheiras e sem responsabilidade”. Isso acarretou até na proibição do surf em praias do Rio de Janeiro, gerando uma insatisfação da população que só queria curtir uma praia. Até o frescobol sofreu com a perseguição!

foto o globo

Jovem sendo preso por jogar frescobol nos anos 60 no Rio de Janeiro. O detalhe é que esse jovem é meu avô!

Porém, o mesmo espírito de liberdade que gerou os problemas entre os surfistas e a repressão da ditadura, proporcionou um momento de ouro para o surf brasileiro e, especialmente, para os surfistas da época. Em um tempo mais lento, com menos preocupações e em busca da onda perfeita, os surfistas de todos os estados do Brasil se colocaram na estrada para poder explorar o imenso e vasto litoral. Entre as décadas de 60 e 70 tivemos vários picos de surf sendo descobertos: Saquarema, Garopaba, Maresias, Imbituba, … Várias das cidades mais famosas no mundo do surf do país foram “descobertas” pelos surfistas durante essa época.

O que não falta são histórias dos grandes ídolos do esporte sobre esses tempos! Foi durante esse período de tempo que o surf se tornou um esporte de abrangência nacional (mesmo que ainda fosse nichado para a galera da praia) e os famosos festivais de surf começaram a ser organizados. Foi o tempo em que Saquarema virou o “Maracanã do Surf” e a Joaquina e Ubatuba se tornaram polos que recebiam pessoas do país todo em épocas de evento. Também foi nessa década que o Nordeste entrou de vez no mundo do surf com campeonatos estaduais e regionais sendo organizados com consistência.

podio do ubatuba 72

Foto do pódio do Ubatuba '72: 1- Rico, 2- Berenguer, 3-Daniel, 4- Betão, 5-Bocão. Paulo Issa entrega as premiações.

Duas ferramentas que a galera gostaria muito de ter nessa época e hoje nós temos no Surfguru PRO são os Alertas Personalizados e os Relatórios Diários. Com elas, a escolha do destino para ir em busca das ondas seria bem mais fácil e as chances de pegar um dia de altas ondas seria bem maior! 

Os festivais ditaram o ritmo das competições nacionais de surf até que surgiu a ABRASP (Associação Brasileira de de Surf Profissional) no fim de 1986. Durante esse período, foi possível ver o esporte se popularizar, começar a atrair a atenção da mídia, atrair patrocinadores e desenvolver marcas próprias. Esse ambiente de liberdade, aventura e diversão composto de jovens nas praias foi um combustível intenso para atrair a atenção da sociedade.

Assim, com essa movimentação de pessoas cada vez maior e mais constante, mais dinheiro era atraído, premiações melhores eram distribuídas e a profissão surfista começava a se tornar uma realidade no país. 

Brazilian Storm e a popularização do surf

A partir de 1987, tivemos o início da disputa do Campeonato Brasileiro de Surf organizado pela ABRASP. Pela primeira vez os atletas teriam um calendário completo com etapas definidas que contariam pontos para o ranking. No final das etapas marcadas para cada ano, o surfista com o maior número de pontos se tornaria o campeão brasileiro de surf!

Esse modelo funcionou até 1992, quando as etapas do Circuito Mundial da ASP (atual WSL) realizadas no Brasil passaram a ser as etapas que contavam para o circuito brasileiro de surf. Com isso, a disputa passou a contar com os atletas estrangeiros que participavam dos eventos por aqui. Em 1997, começamos a ter eventos femininos junto com os eventos dos homens. 

supersurf 2004 joaquina

SuperSurf na Joaquina em 2004 Foto: Ricardo Macario

Apenas em 2000, surgiu o SuperSurf, competição 100% nacional com um calendário definido que premiaria o melhor surfista no fim da temporada após a disputa ao longo do ano. O campeonato foi a referência do surf profissional no país até passar por problemas de patrocinadores e ser paralisado em 2011.

Aqui vale uma explicação sobre um aspecto muito contraditório do surf brasileiro: a mesma geração que desenvolveu o surf profissional, formou a primeira geração de brasileiros competindo no circuito mundial e viu fenômenos como Pedro Muller, Dadá Figueiredo, Fábio Gouveia, Rico de Souza, Victor RIbas, Andrea Lopes e Silvana Lima surgirem, também viu o circuito nacional de surf ser abandonado na véspera da chegada da famosa Brazilian Storm ao WCT.

Entre os anos 90 e 2000, o Brasil passou a ter representantes constantes no circuito mundial, inclusive faturando algumas etapas. O problema foi a percepção, quase que geral, da diferença entre os brasileiros e os gringos: muito menos por causa da técnica e muito mais por problemas de falta de acesso. Equipamentos, viagens, patrocinadores, hospedagens, destinos, tudo era mais difícil para os nossos atletas, ainda mais com uma língua diferente sendo falada por quase todos os integrantes do tour. 

Se hoje a nova geração viaja para surfar ainda jovem, tem acesso a boa estrutura, contratos profissionais e estabilidade para se desenvolver, é porque lá atrás teve um bando de malucos que queria competir e mostrar para o mundo que o brasileiro tem muito surf no pé!

Porém, com a necessidade de competir em alto nível e os poucos eventos que atraem atletas de nível mundial, as maiores promessas do Brasil acabam tendo que competir fora. Isso esvazia os campeonatos locais, diminui o nível de competitividade e de atração dos patrocinadores em território nacional

postinho em 2015

Foto do Postinho em evento da WSL no ano de 2015. A ausência de eventos de impacto do surf foi contraditória com o momento técnico do esporte em território nacional. (foto: Salem-WSL)

E isso é muito importante no ponto de vista social do esporte! Ao mesmo tempo que o esporte ganhou projeção nacional na mídia, o investimento feito em associações e eventos de impacto local diminuiu muito. É essencial que o surf, uma atividade de envolvimento ambiental e com uma cultura tão focada no desenvolvimento local, tenha recursos para transformar a realidade!

Por isso que aqui no Surfguru10% de todas as nossas receitas são destinadas a projetos e ações de impacto. Cada assinatura e cada parceria que nós realizamos também é pensando em poder levar de volta para o planeta tudo aquilo que ele nos proporciona! Você pode participar desse movimento clicando aqui.

E agora? Como eu vou surfar?

E bom, chegamos ao atual momento. Hoje o surf não é mais “contra cultura”, está na novela, está na internet, está nas olimpíadas. Os ídolos do nosso esporte são estrelas de campanhas publicitárias e tratados com celebridades. A quantidade de novas pessoas aprendendo a surfar também parece ter crescido nos últimos anos, o mercado nacional do surf volta a aquecer com um novo campeonato nacional, mais etapas da liga mundial de surf vão acontecer no país, etc. O cenário atual do surf brasileiro é de crescimento e expansão

Como lidar com isso? Como fugir do crowd? Dá para trabalhar e surfar com regularidade? O brasil vai seguir sendo referência no surf mundial?

São perguntas que passam pelas nossas cabeças quase todos os dias. Nós não sabemos como resolver tudo, mas gostaríamos de convidar vocês a pensarem um pouco sobre o possível caminho para essas respostas.

toledo em G-land

Filipe Toledo defendendo a lycra amarela de número 1 do ranking em G-Land (Crédito: Matt Dunbar / World Surf League)

Primeiro: o Brasil vai seguir dominante na WSL? Sim, mas diferente. É bom nós entendermos que o brazilian storm revolucionou o surf competitivo, em termos de preparação e comprometimento. Para um país “sem tradição” dentro do circuito mundial, a forma como a atual geração de atletas mudou os paradigmas dos campeonatos era inimaginável em 2009. Não será um absurdo se não tivermos tantos candidatos a títulos ano após ano por tanto tempo quanto tem sido nos últimos quase 10 anos. 

Mas isso não quer dizer que vamos ser “fracos”. O Brasil chegou para ficar, sendo representativo no universo do surf e dentro da WSL. Além disso, também temos muito espaço para ver o crescimento das atletas femininas dentro do tour. O Brasil possui uma nova geração muito talentosa com chances de ir atrás desse inédito título mundial. 

A segunda pergunta: dá para viver essa vida moderna, corrida e intensa e ainda conseguir surfar? Sim, dá! Mas é difícil.

Não vamos mentir para vocês galera, surfar não é exatamente o esporte mais simples do mundo. Você precisa de tempo para poder praticar e as condições naturais tem que estar favoráveis. E todos nós sabemos que não dá para marcar com o oceano para surfar toda segunda, quarta e sexta e dar uma caída antes do trabalho exatamente nesses dias. Por isso, a gente acredita que temos que ficar ligados nas novas formas de surfar para aproveitar da melhor maneira possível o tempo dentro da água com os recursos que você tem.Por exemplo, se você tem grana, viagens são sempre uma ótima saída. As surftrips (cada vez mais estruturadas para picos exclusivos) são um período de tempo só de surf onde dá para extrair tudo aquilo que o dia a dia te consome. Outras possibilidades, mais novas, são as piscinas de ondas, capazes de fazer milhares de ondas por hora e garantir um dia de altas ondas a qualquer momento. Ainda é possível ter o auxílio de jet skis para fazer step-off em dias de muita correnteza ou tow-in em dias maiores. Tudo para que o tempo pegando onda seja estendido ao máximo.

bela nalu na piscina de ondas com tecnologia wave garden

Bela Nalu entubando em uma piscina de ondas com tecnologia WaveGarden II (foto:Sebastian Rojas)

Outra coisa que a gente acredita é a possibilidade de fazer o seu tempo dentro da água render ainda mais através do estudo da previsão das condições do tempo, ondas, ventos e maré. Se você sabe como as condições do mar estarão, é capaz de escolher melhor a praia que você vai fazer o seu surf! Pode ser para pegar aquele pico que só quebra com um swell raro, pode ser para fugir do crowd, pode ser para estar na água antes do vento, a previsão te avisa tudo isso. 

A gente entende que para aproveitar o surf por mais tempo, precisamos ser mais inteligentes com as nossas escolhas e buscar o máximo de informação para isso. Uma das coisas que pode ajudar bastante é a Previsão Estendida de 15 dias do Surfguru PRO. Com ela é possível ver mais dias da previsão e antecipar o planejamento de trips, da semana, acompanhar a evolução da ondulação e facilitar assim a tomada de decisão. Ainda preciamos avisar que o Clube de Vantagens do Surfguru PRO te ajuda a se conectar com nossos parceiros e ter ainda mais facilidades para surfar! 

Nesse dia do Surf a gente agradece por todos esses anos, por todas as pessoas e razões que possibilitam que nós estejamos surfando hoje. Foi um percurso muito longo e nem podemos imaginar como esse esporte já moldou muitas sociedades e culturas. Nosso objetivo é reforçar alguns valores do surf: o bem estar da comunidade e o cuidado do meio ambiente através do espírito aloha

Para contribuir com esse objetivo, aumentar suas chances de pegar altas ondas e ainda contribuir com a conservação dos oceanos, assine Surfguru PRO. Só essa semana nós estamos dando 3 meses por nossa conta com o cupom SEMANADOSURF. Só clicar aqui, assinar e correr para água!

E para os próximos 300, 500, mil, 2 mil anos, nós desejamos muito surf, altas ondas e uma vibe parecida com aquela que o primeiro maluco sentiu ao deslizar com as ondas!

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