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Santa Catarina - Brasil

Um ano após morte de Ricardinho, mundo do surfe reverencia legado do atleta

Vinicius Dias

Quando se toca no nome de Ricardo dos Santos, a reação de quem o conheceu, de imediato, dá a dimensão do legado deixado pelo surfista catarinense, morto no dia 20 de janeiro de 2015 após ser baleado no dia anterior pelo PM Luis Paulo Mota Brentano.

Em um primeiro momento vem um silêncio para conter a emoção e poder recordar com fidelidade os momentos mais marcantes vividos ao lado dele.

Vinte e quatro anos foram suficientes para Ricardinho deixar a própria marca tanto no aspecto pessoal quanto no profissional. Um ano depois de sua morte, que será completado na quarta-feira, ninguém esquece o menino fortemente ligado à Guarda do Embaú, em Palhoça. Um lugar de onde ele nunca escondeu o orgulho de ter vivido.

– O surfe seria bem melhor hoje se o Ricardinho estivesse presente. Não que seja ruim, mas a presença dele sempre trazia uma luz especial. É uma coisa agregadora, de amizade, do bem. Ele marcou no surfe por dois aspectos: pelo Ricardo atleta, desafiador e corajoso, e pelo Ricardo ser humano, amigo e parceiro – define Roberto Perdigão, dirigente da WSL – a Liga Mundial de Surfe – na América do Sul.

Prêmios cobiçados por estrelas da modalidade

Para o mundo do surfe, provou que um profissional não vive apenas dos holofotes do Circuito Mundial. Participou de competições da elite do esporte desde 2008, chegou a surfar em etapas do antigo WCT, hoje WSL. Mas nos últimos anos havia optado por se especializar como um big rider, surfista de ondas grandes. E, mesmo jovem, conquistou prêmios cobiçados por nomes de peso – alguns deles superados na água pelo próprio Ricardo.

Um deles, em 2012, foi o Andy Irons, pela performance no Qualifying de Teahupoo, em que levou o bicampeonato. O outro, em 2013, é o Wave of the Winter, que premia a melhor onda surfada na temporada havaiana, desbancando o multicampeão Kelly Slater e John John Florence.

– A ambição do Ricardinho nunca foi realmente seguir no Circuito. Era um cara sem medo, gostava de surfar em condições mais adversas e radicais possíveis. Buscava condições de surfar bem nas ondas mais difíceis do mundo, em condições em que poucos surfistas conseguem. E foi reconhecido por isso, por surfar com tanta maestria – recorda Perdigão.

O reconhecimento internacional do atleta ainda ajudou a trazer mais respeito aos competidores brasileiros. Tem sua contribuição na preparação do terreno para a Brazilian Storm, a tropa de elite do surfe nacional que é sensação do WSL. Influencia até hoje seus compatriotas, tanto que Adriano de Souza, o Mineirinho, dedicou ao amigo o título mundial conquistado no ano passado.

A mesma reverência é dada por outro campeão mundial que mora em SC: Lucas Silveira, que levou o troféu da categoria júnior na semana passada. Treinou junto e foi incentivado por Ricardinho. Por isso, reconhece o colega e amigo:

– As performances que ele teve marcaram internacionalmente. Teve uma época em que brasileiro era maroleiro, não sabia pegar tubo. E ele foi um dos primeiros que mostrou que a gente pega tubo, sim.

Mesmo jovem, Ricardinho era respeitado como um surfista independente, mas que nunca ficou à margem. Por isso é lembrado com carinho especial no cenário internacional. Antes de partir e deixar saudade, tinha uma meta definida e revelada a amigos e colegas: voltaria ainda em 2015 a disputar o WQS, a divisão de acesso, para logo chegar ao WSL. Era para valer. A elite voltaria a ter trabalho com o catarinense. Não deu tempo, mas é como se ele estivesse presente em cada evento. Ninguém esquece.

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