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Paraíba - Brasil

Surfista paraibano conta a sua gripe suína

Isabella Araújo

Surfista paraibano conta o drama de ter contraído o vírus H1N1 e o estado grave entre vida e morte

Vinte e um quilos mais magro. É esse o saldo que o surfista paraibano Bergson Franklin de Sousa Carneiro, conhecido como Bob Marley, 31 anos, teve depois de haver contraído o vírus da gripe suína (H1N1), em julho deste ano, durante um campeonato internacional de surf em Saquarema, no Rio de Janeiro. O atleta chegou a ser atendido em hospitais nas cidades do Rio de Janeiro e em João Pessoa, onde presenciou a morte de outros pacientes nas unidades hospitalares e afirma que chegou a pensar que também fosse morrer: "Vi pessoas morrerem ao meu lado. Quem diz que essa gripe é uma coisa simples está mentindo", afirmou.

Bergson Franklin foi a 8ª vítima da doença, contraída durante um torneio de surf realizado em Saquarema (RJ) Foto: Rafaela Tabosa/ON/D.A. Press

Foi em Mangabeira IV que a reportagem de O Norte conversou com Bob Marley, na casa onde mora, na companhia da mãe Arlene Santos e da namorada Ana. Depois de ter passado por todo o drama para se recuperar da gripe, aos poucos Bob está retomando a rotina de atividades, como o surf, os encontros com amigos e a volta à alimentação, com verdurase açaí. Ele não lembra corretamente as datas das internações, que no total foram duas, mesmo tendo buscado várias unidades hospitalares, tanto no Rio (na Barra da Tijuca e na Gávea), como também em João Pessoa, no hospital Clementino Fraga, que é referência para doenças infecto-contagiosas, e no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), a referência para o tratamento da doença na capital.

No entanto, o surgimento dos sintomas da gripe, Bob Marley não esquece: "Estava participando do campeonato de surf e durante a noite houve uma comemoração com uma banda. Lembro que participei da festinha e tinha muitos gringos, mas no outro dia eu já amanheci com 40° de febre e sem forças", revelou o surfista, que pesava 80 kg e chegou a ficar com 59 kg depois da doença, mantendo atualmente 65 kg.

O atleta morava no Rio de Janeiro há 10 anos com um irmão que trabalha numa fábrica de pranchas de surf e vinha sempre a João Pessoa para visistar a mãe e os amigos. Durante o campeonato, ele ainda chegou a passar por duas baterias da prova, mas acredita que se tivesse seguido adiante na competição não iria ter condições de surfar. Com os sintomas da gripe, Bergson procurou os hospitais Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas desistiu de ser atendido quando viu o tamanho da fila de pessoas buscando atendimento no hospital. Foi então que o paraibano se deslocou para o Hospital Miguel Couto, na Gávea, onde ficou 10 dias internado, mas não tomou a medicação Tamiflu e nem realizou exames para comprovar a doença. Lá, ele disse que viu mulheres grávidas falecerem e chegou a usar um balão de oxigênio para conseguir respirar: "Foi aí que eu que eu pensei que podia morrer", afirmou.

A decisão para vir para João Pessoa veio em virtude da doença e da presença dos familiares, especialmente a mãe de Bergson, que o acompanhou desde a chegada a cidade: "Quando ele chegou eu abracei e beijei ele, e não deixei de prestar assistência nenhuma ao meu filho", disse Dona Arlene, que não apresentou sintomas da doença, mesmo tendo um contato mais próximo com o filho. "Só deu tempo de colocar as minhas pranchas na capa e por algumas roupas na mochila", disse o surfista, que pegou um voo do Rio de Janeiro para Recife e depois veio de ônibus a João Pessoa.

Quando chegou à capital paraibana, veio a recaída. Foi aí que o atleta buscou o Hospital Clementino Fraga, que o encaminhou para o HU. A data em que o surfista deu entrada no Hospital Universitário foi 24 de julho, e a confirmação da doença ocorreu através do exame, que foi divulgado no dia 30, enquandrando o paciente com imunodepressão e o incluindo dentro do grupo de risco. Durante o atendimento no HU, Bergson, que também ficou no isolamento hospitalar, presenciou a morte do estudante Severino Galdino, de 31 anos, o primeiro caso de morte no nordeste pela gripe suína. Com a confirmação do próprio caso (o oitavo na Paraíba) e a morte de Severino Galdino, o surfista lembra que um clima de medo foi instalado no hospital envolvendo os próprios funcionários: "Hávia médicos e enfermeiras que faziam o atendimento com tranquilidade, mas também havia enfermeiras que entravam na sala feito um furacão, de tanto medo que elas tinham de mim", revelou o paciente. Ele teve complicações por causa da medicação Bactrim, que tomou e o fez vomitar.

No sétimo dia da semana em que Bergson Franklin ficou internado no HU, uma quinta-feira, o paciente já considerava o seu estado de saúde bastante melhorado e havia solicitado a liberação por parte da equipe clínica do hospital. A espera por uma resposta dos médicos e pela assiantura de um termo de responsabilização não demorou muito tempo. Simplesmente Bergson Franklin, o Bob Marley, saiu do HU sem ser percebido: "Não estava mais transmitindo o vírus e queira ir embora. Eu estava aguardando uma resposta, mas achei que o pessoal não queria liberar. Eu saí de lá e ninguém percebeu", disse.

Ele chegou a retornar depois ao Hospital Universitário Lauro Wanderley para receber a alta e voltar para casa definitivamente.

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