#viagens #session #surf 
Augusto Corrêa - Pará - Brasil

Surfando de kite na Amazônia Atlântica

Alex Cavalcante

Poucos estados do Brasil são beneficiados com a entrada de boas condições de swells oriundos do inverno no hemisfério norte, sendo o Pará e o Amapá, os únicos a se localizarem na região Amazônica e possuírem litoral com o Oceano Atlântico

Apesar das boas ondas que predominam nessa época do ano que começa em janeiro e se estende até abril nessa área ainda pouco conhecida região, os ventos se tornam mais amenos pois quase sempre são precedidos por intensas chuvas que assolam toda a região norte do país. Ou seja, a melhor época pra se surfar, mas nem sempre com o “kite”... Mas esse ano o vento pra nossa felicidade, não tem dado trégua e tem permitido um velejo além das expectativas, propiciando com a melhora das condições do mar, algumas trips com o intuito de surfar boas ondas em praias selvagens, não só em condições perfeitas com o mar “lisinho” na remada, mas em condições “frenéticas” de vento com o Kite. Um lugar especial se destaca no litoral Leste do Pará: A Ponta do Camaraçu.

As surf trips pra essa região já são constantes entre a galera do surf de remada, mais esse ano empolgado com o meu “super poder” que o Kite proporciona ao surf, convidei alguns amigos do surf e o já “experiente “waverider” André Campbell para sermos os pioneiros naquelas ondas e aproveitar pra desbravar outros picos ainda não explorados, já que a previsão apontava um bom swell precedido de muito vento... Barca formada, partimos de Belém, a capital do estado, em direção a cidade de Augusto Corrêa a 216 km (3hrs) e de lá em um pequeno barco (4hrs) até o pico, tendo como infra-estrutura lá apenas alguns “ranchos”, que são precárias habitações tipo “palafitas” como suporte para nos instalarmos e podermos acampar, levando tudo de que é necessário em uma expedição desse tipo, como alimentação de acampamento, barracas, fogareiros, muita água mineral, lanternas... Até porque em caso de alguma emergência a cidade mais próxima na melhor da hipótese se encontrava à no mínimo 2 horas de distância...

Como a saída de nosso barco no começo da tarde foi feita em um horário não conveniente com a maré propicia, acabamos frustrados tendo que parar para pernoitar em uma vila de pescadores localizada em uma enseada protegida por uma ponta de areia afim de aguardar a próxima maré na madrugada para podermos chegar em nosso destino final. Só que para nós 2 que estávamos com os kites, essa “roubada” se transformou numa excelente oportunidade de explorarmos outros picos desconhecidos, pois percebendo a posição e intensidade do vento que estava rolando, pudemos levantar os Kites e contornar o relevo dessa enseada, aproveitamos e conseguimos surfar nas bancadas do outside, e também nas ondas que estavam quebrando para nossa surpresa na praia atrás desse vilarejo de frente para o mar, aproveitando assim para registrarmos mais um novo pico a somar aos muitos ainda não explorados e catalogados pela comunidade do surf local, já que o litoral paraense é um dos mais inóspitos do país devido a sua difícil logística de acesso.

No outro dia, chegando na Ponta do Camaraçu depois de muitos “perrengues” nos mangues que dão acesso ao lugar que acampamos, nos instalamos, descansamos e nessa mesma tarde surfamos intensamente, altas ondas com o vento quase totalmente on shore, testemunhando com alivio, os outros integrantes da surf trip sofrerem na difícil arrebentação e forte correnteza, pois realmente se nós 2 não tivéssemos optado por usar o kite não tínhamos aproveitado aquelas condições de vento de maneira tão satisfatória que aquelas ondas exigiam. Os 3 dias restantes da trip, foi só diversão, ora surfando na remada quando o vento fraquejava, ora surfando com o “kite”quando o vento apertava, constatando que o que importa mesmo é “surfar”, já que o equipamento é um mero instrumento de abordagem...

Valeu e até a próxima trip pelas “Doces Ondas Salgadas da Amazônia”!

Galerias | Mais Galerias