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Poderia a ASP e a BWWT Juntar Forças?

SurfTotal

"Uma onda de 15m faz qualquer pessoa parar e prestar atenção”, diz Kelly Slater

Ano passado, quando a ondulação do “Code Red” foi prevista para o Billabong Pro Theahupoo, os melhores surfistas de ondas grandes apareceram em peso e “atacaram” um dos maiores dias do ano. Foi fantástico, a Billabong valorizou a situação, continuou a filmar e consequentemente, lucrou com isso.

Este ano aconteceu o mesmo em Cloudbreak, quando a previsão de uma ondulação enorme chegou ao Volcom Fiji Pro. Trinta dos melhores surfistas de ondas grandes já se encontravam em Fiji, e deram início a uma das melhores sessões de surf da história. A Volcom, assim como a Billabong, também continuou a filmar. A revolta do público por terem cancelado o evento foi totalmente ofuscada pela mídia, que começou a bombardear o público com vários vídeos e fotos daquele dia.

Os patrocinadores e as pessoas que tomam estas difíceis decisões (diretores de evento, Juiz principal, etc), tanto na situação de Teahupoo como em Cloudbreak, são duas decisões “ligadas”, onde ambas tiveram resultados positivos. Isto, leva-nos a pensar, que deveria existir uma espécie de homologação para o Surf de Ondas grandes (BWWT) para situações como esta, bem como existir um limite de tamanho de onda, e quando esta ultrapassar esse limite, trocar de WCT para BWWT.

Na verdade, já existe uma estrutura “media” montada, mas é exclusiva para o WCT. Se incorporar eventos de surf de ondas grandes (BWWT), a combinação “media” deste dois eventos elevará o surf como um todo. Poderá Kelly Slater pensar entrar em competições de ondas grandes?

“Acho que a ASP deveria fazer uma plataforma específica, reconhecida à volta do mundo como “Big Wave Tour”. Esta tour existe, mas não é filiada com a ASP. Parece não existir o apoio financeiro para isso, o que é estranho”, diz Kelly Slater.

Slater também percebe, que o surf de ondas grandes, e o "desafiar a morte" em algumas situações, talvez seja o que prende mais o público.

“Ondas grandes é o mais interessante de assistir para surfistas e não-surfistas. As pessoas percebem que é o homem contra os elementos da natureza, e que são situações de vida ou de morte. É intrigante e entusiasmante, acho que deveria ser mais evidenciado no surf profissional, mas por alguma razão, ainda não é”, diz Kelly Slater.

Quanto à ASP reconhecer a existência de um Big Wave World Tour, e a possibilidade de classificar os eventos, Grant “Twiggy” Baker, refere que o que experienciamos e assistimos em Teahupoo e Cloudbreak, não acontece com muita frequência.

“Nós já temos eventos de “Big Wave Surf”, a serem realizados em volta das maiores ondas do mundo, como Chile, Peru, Mavericks, etc. Mas acho que, seria boa ideia, criar eventos de surf de ondas grandes em locais como Cloudbreak, Puerto, Teahupoo e Pipeline. O problema em incorporá-los na agenda da ASP, é conseguir ter aquela ondulação, naquelas datas. Nós tivemos a sorte de ver dois dos maiores “swells” de sempre, naqueles eventos em dois anos seguidos. Foi uma sorte, não vejo a possibilidade de tão cedo voltar a acontecer”, diz Grant Baker.

A verdade é que, de acordo com Slater, as pessoas realmente querem ver ondas grandes, e os patrocinadores deveriam usar isso mais eficientemente.

“As pessoas querem ver ondas de 15m. Elas não querem ver ondas de 1,5m. Isso não relaciona as pessoas que não surfam. Uma onda de 15m faz qualquer pessoa parar e prestar atenção”, diz Kelly Slater.

Dave Prodan, “International Media Director of ASP”, reconhece que o cenário sofreu mudanças significativas, depois do que se passou em Fiji.

“Podemos tirar duas reflexões da última sessão em Cloudbreak (the big day in Fiji): 1ª - os organizadores do evento puderam ver até que ponto se pode remar, para pegar uma onda daquele tamanho; 2ª - os Top 34 surfistas, que estavam competindo naquele dia, terem o equipamento apropriado para aquelas situações”, diz Dave Prodan.

Quando posta em causa a possibilidade do “Big Wave World Tour” se juntar a eventos do “World Tour”, e durante o período de espera, houver a previsão da aproximação de uma ondulação grande, Prodan diz estar aberto a essa possibilidade.

“A ASP teve uma reunião com o BWWT e vê a situação como sendo um desafio. Estamos aqui para os assistir da melhor maneira possível”, diz Dave Prodan.

Só o tempo dirá, se a ASP ver se vale a pena trazer o surf de ondas grandes para o WT. Mas a realidade é que, tanto Code Red como a ondulação em Fiji, alinhados com os eventos do World Tour, foram coincidências que aconteceram. Independentemente de como foram marcadas, o importante é que nos deram a possibilidade de testemunhar a história do surf, à medida que ela vai acontecendo.