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Mais Três Brasileiros Avançam No Billabong Rio Pro

João Carvalho / ASP

Adriano de Souza foi um dos recordistas do dia no Arpoador e a etapa brasileira do ASP Tour volta para a Barra da Tijuca na quinta-feira

Mais três brasileiros se classificaram para a terceira fase do Billabong Rio Pro na Praia do Arpoador, que pelo segundo dia seguido recebeu a etapa brasileira do ASP World Tour no Rio de Janeiro. O paulista Adriano de Souza chegou a estabelecer um novo recorde de pontos para o campeonato no duelo verde-amarelo com o catarinense Ricardo Santos. O carioca Raoni Monteiro festejou sua primeira vitória em baterias do ASP Tour neste ano e o cearense Heitor Alves também passou pela repescagem na quarta-feira de boas ondas de 2-4 pés no Arpoador.

"Estou muito feliz por ter encontrado boas ondas e conseguir colocar um ritmo forte na bateria", disse Adriano de Souza, o Mineirinho. "Eu queria muito passar, porque pra mim é muito importante competir aqui no Brasil, junto da nossa torcida. Espero conseguir mais um ótimo resultado aqui e também torcer para que os outros brasileiros se dêem bemi".

Ele dividia a quarta posição no ranking com o português Tiago Pires, que acabou eliminado pelo carioca Raoni Monteiro na repescagem. "Eu venho ganhando experiência a cada temporada, tive sorte de entrar no circuito cedo e já fazem seis anos que estou no ASP Tour. No começo foi difícil, demora um tempo a se acostumar, mas a cada evento a gente vai adquirindo mais experiência. Tem uma nova geração vindo com tudo aí e é preciso continuar evoluindo para não ficar pra trás", falou Adriano de Souza.

MELHORES DO DIA - Mineirinho agora fará um confronto de recordistas na terceira fase com o norte-americano C. J. Hobgood. O brasileiro aumentou o maior placar do Billabong Rio Pro de 16,33 para 16,43 pontos, mas esta marca foi batida pelos 16,50 que o americano conseguiu contra o australiano Julian Wilson. A maior nota dos dois também foi parecida. Adriano repetiu o 8,5 que recebeu na primeira fase, quando perdeu para o australiano Daniel Ross, enquanto a melhor onda do C. J. valeu 8,57 pontos.

"Foi uma bateria muito disputada", conta C. J. Hobgood. "Eu tenho um grande respeito pelo Julian Wilson e por toda essa nova geração. É muito bom vê-los surfando com essa radicalidade toda, com manobras inovadoras. É isso que torna a bateria mais excitante. Eu só procurei achar minhas ondas. Consegui surfar bem e impor um ritmo forte na bateria. Eu estava com muita vontade de vencer e acabou dando tudo certo. Estou feliz por ter feito um novo recorde pro campeonato".

Os 16,33 pontos de Taj Burrow no primeiro dia foram superados duas vezes na quarta-feira, mas a nota 9 de Kelly Slater só foi igualada, também duas vezes. O primeiro a conseguir o feito foi o australiano Joel Parkinson, que dropou uma onda da série, começou com um batidão vertical e mandou mais três manobras fortes de backside, jogando muita água. Depois, na última bateria do dia, outro australiano, Adam Melling, arrancou mais uma nota 9 na vitória sobre o catarinense Alejo Muniz na repescagem.

"Na primeira fase eu realmente não me encontrei na minha bateria, mas agora já foi diferente", falou Joel Parkinson, um dos atletas da elite mundial patrocinado pela Billabong. "Procurei chegar cedo e dar uma treinada antes para entrar na bateria mais preparado. Hoje o mar melhorou, tem boas ondas e a minha primeira até me surpreendeu, foi muito longa e com ótima parede para fazer as manobras. Depois não achei mais nada, ou seja, está bom e ao mesmo tempo difícil. É preciso de um pouco de sorte".

Parko venceu a etapa passada do ASP Tour em Bells Beach, Austrália, é pode até assumir a ponta do ranking no Billabong Rio Pro. Ele ocupa a segunda posição na corrida do título mundial da temporada, liderada pelo decacampeão Kelly Slater. O sul-africano Jordy Smith é o terceiro colocado e Adriano de Souza divide o quarto lugar com o português Tiago Pires, com o bicampeão mundial Mick Fanning em sexto na classificação geral após as duas provas realizadas na Austrália.

PRIMEIRA VITÓRIA - Ao contrário deles, o carioca Raoni Monteiro chegou no Brasil na outra ponta da tabela. Ele não conseguira passar nenhuma bateria nas duas etapas da Austrália, mas em casa quebrou o tabu contra o português Tiago Pires, classificando-se para a terceira fase.

"Eu precisava muito passar uma bateria. Venho de dois resultados ruins e tinha que acabar com isso aqui", falou Raoni Monteiro. "Eu venci um dos campeonatos mais difíceis do mundo no fim do ano passado (em Sunset Beach, Havaí) e não estava conseguindo nada no WT (ASP World Tour), então tinha que fazer uma bateria boa, surfar bem e hoje acabou dando tudo certo. Estou com uma prancha muito boa, a galera deu a maior força aqui na praia e eu só poderia retribuir representando bem o Brasil".

Quatro brasileiros continuam vivos na disputa do título do Billabong Rio Pro, que vale um prêmio de 100 mil dólares. O cearense Heitor Alves eliminou o havaiano Dusty Payne na repescagem e será o primeiro a se apresentar na terceira fase, contra o americano Damien Hobgood, na segunda bateria. O duelo de recordistas entre Adriano de Souza e C. J. Hobgood é o oitavo programado para esta quarta-feira. Depois, tem o defensor do título da etapa brasileira do ASP Tour, Jadson André, enfrentando ao taitiano Michel Bourez na 11.a e na 12.a e última da terceira fase Raoni Monteiro pega Mick Fanning.

BARRA DA TIJUCA - Depois de dois dias de disputas nas esquerdas do Arpoador, o Billabong Rio Pro retorna para o seu palco principal na Barra da Tijuca nesta quinta-feira. A primeira chamada foi marcada para as 7 horas e a primeira bateria será disputada por Taj Burrow (AUS) e Cory Lopez (EUA).

EXPRESSION SESSION SPORTV - Também para a quinta-feira está programada a Expression Session Sportv, bateria especial reunindo até 20 surfistas que premiará com 5 mil dólares o surfista que fizer a manobra mais radical. Esta atração está prevista para ser realizada às 16 horas na Barra da Tijuca.

VERÃO SEM FIM LEVA A ARTE DO SURFE PARA A PRAIA - Enquanto os surfistas dão show no mar, não faltam atrações para o público na areia, com exposições de arte e fotos. Pranchas que teriam como destino a lata de lixo e poluiriam o meio-ambiente viraram peças de artes pelas mãos de artistas cariocas, que produziram doze obras para serem mostradas durante o evento, na exposição Rio em Prancha. A renda arrecadada com a venda destas peças será revertida para a ONG Adaptsurf, que incentiva e realiza ações que permitem ao deficiente físico à pratica de esportes de praia.

Outra atração é a programação organizada pelo FestivAlma. Um dos pontos altos é a exposição fotográfica em homenagem ao grande Pepê Lopes, campeão do Waimea 5000, primeira etapa do Mundial a ser disputada no Brasil, em 1976, no Arpoador. Pepê, que anos mais tarde se tornaria também campeão mundial de vôo livre, faleceu há 20 anos. A exposição de fotos também vai mostrar um pouco da história dos Mundiais no Brasil, assim como o Píer, local de encontro dos surfistas com os representantes da contra-cultura dos anos 70, em Ipanema

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