#viagens 
Cabo Verde

KITE Trip em Cabo Verde 2009

Célio Beleza

O Smolder Kitesurf Integrando Fronteiras é um projeto que teve início no ano passado e pretende explorar os melhores picos do mundo para a prática do Kite nas ondas. Além de mostrar o potencial desses lugares, o projeto visa demonstrar a cultura local, sua associação com o esporte e também pretende trazer informações valiosas para futuros velejadores. A busca incansável pelas ondas e por picos perfeitos sempre nos leva a lugares paradisíacos. Associar essa busca a um estilo de vida, nos ajuda a alcançar o equilíbrio necessário para enfrentar os desafios do dia-a-dia. Com essa filosofia em mente, partimos para o país de Cabo Verde no dia 23 de fevereiro para uma missão de exploração que iria durar 10 dias.

Nossa direção aponta para a Ilha do Sal, um dos destinos mais procurados do arquipélago para a prática do esporte. Cabo Verde fica na região do Atlântico Norte, a cerca de 400 km do continente africano. Colonizada pelos Portugueses, a Ilha recebe um grande fluxo de europeus e imigrantes afros, o que contribui para a face multi-cultural do povo local. O Cabo Verdiano é amistoso, receptivo e adora Brasileiro. Fatores de sorte para que pudéssemos percorrer toda Ilha sem nenhum tipo de problema.

Nossa equipe era formada pelos atletas profissionais Gustavo Foerster, Ygon Maia e Célio Beleza. Para registrar toda a viagem, juntam-se ao grupo o fotógrafo profissional Paulo André e o diretor de arte Gilberto Paiva. No comando da missão estava o Diretor de Marketing, Rafael Forti, que através da Smolder viabilizou toda a realização do projeto.

Nos primeiros dias desbravamos o Pico de Ponta Preta, famoso por suas longas direitas rápidas e perigosas. Uma rasa bancada de coral faz com que a onda quebre perfeita, abrindo uma parede azul que será difícil de esquecer. No dia maior chegamos a dropar algumas séries com 2,5 de altura com um forte vento terral que dificultava um pouco as manobras no lip da onda.

Nos dias seguintes a nossa expedição partiu pra o extremo norte seguindo as dicas dos locais para encontrar um secret point. Lillte Hookipa, como é chamado, tem esse nome por parecer muito com a praia havaiana de mesmo nome. Boas direitas bem manobráveis quebrando em um fundo que propicia uma boa formação fez a cabeça dos velejadores que puderam curtir uma manhã inteira sozinhos no pico. Ao fundo, altas ondas quebravam em Cural Joul, o pico mais sinistro da Ilha. A vontade era de ir lá checar porém o forte vento terral, a inexistência de área de decolagem e a falta de apoio no caso de um resgate nos fez optar por Little Hookipa.

Quando o swell baixou resolvemos passar um dia em Kitebeach, uma praia bem popular para o Kite em Cabo Verde. O vento aqui é bem mais tranqüilo, vem do mar pra terra fazendo essa área a mais indicada pra iniciantes. Pegamos algumas ondas no reef do outside, fizemos fotos aquáticas e aproveitamos a oportunidades para ensinar kite para a equipe de mídias da trip. Diversão garantida e um visual incrível fecharam este dia, o na manhã seguinte partimos pra uma aventura que reservaria uma grande surpresa para todos nós.

No norte de Ilha, partimos para a Baia de Shark Bay, que leva esse nome devido a quantidade de tubarões que podem ser vistos por ali. Antes de chegar ao destino, nos deparamos com um cenário indonesiano parecido com Padang Padang. Esquerdas quebravam em uma bancada de pedra com dois navios antigos naufragados bem próximos. As embarcações devem ter sido arrastadas para o coral, e formavam uma das paisagens mais impressionantes que já pudemos presenciar. Não tivemos dúvidas e decolamos nossos kites naquela área inóspita cercada por mistério e perigos. Na água, a energia era outra. Muita diversão nas ondas, saltos e kitesurf em alta velocidade ao lado dos navios naufragados. Após registrar tudo em fotos e vídeos, voltamos a praia pra ir em busca de outros pontos interessantes da ilha.

Nessa hora fomos suspreendidos por um garoto local que se impressionava com o coloridos das pipas, mas também pelo fato dos atletas terem acabado de sair da água. Segundo ele, a Baia de Shark Bay era exatamente ali onde estávamos e as piscinas onde os tubarões passeavam ficava a menos de 200 metros de onde acabávamos de velejar.

Pegamos o carro e fomos confirmar a afirmação do garoto local, e de repente avistamos mais de 15 barbatanas reunidas juntas! Ficamos loucos gritando sem acreditar que os animais que mandam no oceano estavam bem ali tão próximos. A piscina que eles ficam é tão rasa que pudemos ir caminhando pra perto e até tirar algumas fotos. A adrenalina tomou conta de todos e depois desse episódio realmente era hora de voltar pra casa!

No último dia da trip fizemos uma breve caída no sul, perto da Vila de Santa Maria, no pico de Ponta Leme. O objetivo era relaxar e aproveitar a virada da ondulação pra este lado da Ilha. Com a sensação de missão cumprida, curtimos o fim de tarde vendo o sol se por no mar, velejando de volta para nosso alojamento pra preparar a viagem de volta.

Cabo Verde vai ficar na memória. Os amigos locais, a paisagem desértica, as ondas azuis, tudo isso será difícil de esquecer. Velejar sobre as ondas incríveis que o arquipélago proporciona foi uma grande experiência pra os atletas e também pra quem fotografava e filmava. Agora é hora de pensar na próxima trip, na próxima busca por lugares perfeitos e de rezar pelo próximo swell. Afinal, pra quem gosta do mar, Surfar é Sagrado.

Galerias | Mais Galerias