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Brasil

Frente fria é sinônimo de boas ondas?

Branco Eguchi

Entenda o que é, como se forma uma frente fria e sua ligação com as ondas.

Se você acompanha a previsão do tempo, com certeza já ouviu falar em frente fria. Para entender melhor seu significado, vamos analisar o que é uma frente e depois o porquê de ser fria

A palavra frente pode ser usada como uma analogia aos campos de batalha, representando a região onde dois exércitos se enfrentam. 


Foto de William Fortunato (fonte: Pexels)

No nosso caso, os exércitos são massas de ar com características diferentes, podendo ser quente e úmida ou fria e seca. A classificação de frente fria significa que a massa de ar fria e seca possui maior influência e avança em direção a massa de ar quente e úmida. 

A passagem de uma frente fria é comumente marcada pela seguinte ordem de acontecimentos: 

Antes da passagem: Predomínio da massa de ar quente e úmida, ventos fortes e muito calor.

Foto de Maria Isabella Bernotti (fonte: Pexels)

Durante a passagem: Devido sua maior densidade, a massa de ar fria empurra a massa de ar quente para cima, assim a umidade se transforma em chuva. O vento começa a mudar de direção e por isso diminui sua intensidade. 

Foto de Gabriela Palai (fonte: Pexels)

 

Após a passagem: Queda de temperatura por conta da chegada da massa de ar frio.

Massar de ar x frentes

É muito importante não confundir massas de ar com frentes, as massas de ar possuem características próprias e as frentes representam a região de encontro dessas massas.

Geralmente, a massa de ar frio é formada no pólo sul (Antártida), por isso se chama “Ar Polar”. Esta massa de ar polar pode avançar sobre o Chile, Argentina, Uruguai e Brasil até migrar em direção ao continente africano (seta azul na figura abaixo). 

Foto adaptada de Marina Leonova (fonte: Pexels)

Relação frentes frias e ondas

A massa de ar polar está associada a ventos fortes, que por sua vez, têm potencial de gerar grandes ondas. Aí está a ligação entre a frente fria e as ondas. A frente fria representa o avanço de uma massa de ar fria associada a ventos que geram grandes ondas. 

No entanto, para que essas ondas cheguem ao litoral do Brasil, é preciso que a frente fria e a massa de ar frio sejam capazes de migrar sobre o oceano atlântico em direção ao continente africano. O caminho da massa de ar frio varia de acordo com as características da própria massa de ar frio e também da massa de ar quente, que atua como barreira no caminho da frente fria.

Dessa forma, a massa de ar frio e a frente fria podem:

  • Subir o litoral do Brasil a partir do Rio Grande do Sul se afastando da costa até a altura do litoral da Bahia;
  • Ficar restritas aos estados do sul e sudeste; ou
  • Nem chegar ao litoral do Brasil e migrar direto da Argentina para a África do Sul.

Assim, podemos concluir que a ligação entre a frente fria e as ondas está na característica da massa de ar fria que acompanha a frente fria e no caminho que ambas percorrem ao longo do oceano Atlântico. 

Para gerar boas ondas é necessário que o vento possua alta velocidade, grande área de oceano sobre a qual ele sopra (também chamada de pista de vento) e longa duração. 

Desta forma, o ideal é que a frente fria e a massa de ar polar se mantenham paradas sobre o oceano, aumentando a duração dos ventos. Além disso, é necessário que a massa de ar polar seja extensa e fique a uma distância considerável da costa para que haja uma grande pista de ventos e seus fortes ventos não atrapalhem na qualidade da quebra das ondas. 


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Branco Eguchi é pesquisador do Laboratório de Geomorfologia e Sedimentologia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). O enfoque de sua pesquisa é a erosão de praias e eventos de ondas extremas. Possui graduação e mestrado em Oceanografia pela UFES, onde atualmente é aluno de doutorado. Trabalha também com o projeto Oceanografia Para Todos, que faz divulgação científica através da adaptação de conteúdo para uma linguagem acessível. Desde garoto pratica pesca e surf, buscou na oceanografia uma forma de entender melhor os fenômenos que observava no mar para conseguir pegar mais peixes e principalmente ondas.

Instagram: @brancoeguchi / @oceanografiaparatodos

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