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Indonésia

Fred na Indonésia 2012

Fred Santos

Depois de adiar por algumas vezes uma temporada na Indonésia viajando para lugares um pouco mais baratos finalmente havia chegado a hora de embarcar rumo a terra dos fundos de coral e das ondas perfeitas

Me juntei na barca a George Aranha, Marcelo Mangaba e Julio Maia. Desembarcamos em Bali no começo de setembro com o objetivo de seguirmos em busca, primeiramente, de picos mais distantes, menos crowd e mais "lost". Após a primeira caída em Padang Padang, onde pegamos o último dia de um bom swell e já sentindo a vibe das ondas da Indo, acordamos no dia seguinte com o mar em Bali bem pequeno. O lado positivo é que teoricamente teríamos tempo de nos deslocar até Sumbawa antes da entrada de um novo swell.

Por indicação de Rodrigo Digone saímos de Bali à noite evitando assim que pegássemos o pior trecho de uma longa jornada de carro em estradas estreitas e bem movimentadas durante à noite do dia seguinte. Como disse Digone, é preciso que haja harmonia entre os integrantes da barca, caso contrário a viagem se torna um pouco estressante.

Após algumas horas de carro e FerryBoat chegamos em nosso primeiro destino: Desert Point. Ainda havia boas ondas do mesmo swell que surfamos em Padang, mas estávamos exaustos e como nosso destino era Sumbawa abrimos mão de Desert que tudo indicava que ia baixar até o fim da tarde e continuamos nossa empreitada rumo a nosso objetivo.

Por obra do acaso ou de informações erradas fomos bater em Super Sucks em pleno pôr do sol. Estávamos atrás de Scar Reef, bem mais constante, e logo em seguida estávamos hospedados em frente ao pico. Dois dias de poucas ondas e finalmente Scar Reef acordou. Surfamos desde cedo até a hora em que o vento entra pontualmente naquela região. SCAR REEF é uma onda incrível, que além de tubos proporciona boas manobras. A remada até o pico é um espetáculo de corais de todas as cores, a bancada é realmente rasa mas a onda é perfeita. Surfamos ondas de um metrão e meio por mais de três horas e meia, até então a melhor sessão de surf da trip.

No dia seguinte o mar baixou surpreendendo à todos. Ouvimos de um australiano que na região de Yo Yo's uma direita chamada The Wedge costuma ser mais constante e como o mar havia baixado partimos novamente para outro destino.

Naquela região o crowd é bem menor, a vibe é bem cool. A direita de The Wedge começou a funcionar e não parou até o dia de partirmos. O surfe é sempre melhor pela manhã cedo e no final da tarde, quando o vento é mais de terral. Após algumas sessões de surf não tão tubular mas muito bom para ir entrando no rip eu pude conhecer o verdadeiro potencial da direita de The Wedge.

Após várias horas na cidadezinha de Maluk, há alguns quilômetros do pico para comprar mantimentos, cheguei na pousada com os instintos do surf me deixando bem ligado. Maré seca, meio da tarde, vento encaixando bem e o pico espumando de forma que não havia visto ainda. Notei que a maioria dos surfistas do surf camp estavam exaustos. Nesse momento um australiano figura pegou sua single fine e partiu para o pico. Foi o que faltava para bater aquela instigação e a esperança de uma boa sessão. Na Indonésia as coisas mudam repentinamente de uma hora para outra, regida sobre variação de maré, por isso é necessário estar sempre atento ou corre-se o risco de perder a melhor hora do dia ou até da trip!

Caí com uma prancha pequena mas com quilhas grandes e fiquei surpreso quando, remando no canal vi o brother australiano remando numa onda da série com 7 pés sólidos. A previsão de pico daquele swell era para aquele dia mas era notório que naquele momento acontecia o auge do dia. As ondas tinhas fáceis 8 pés! Abrindo até o canal e só havia eu e mais um surfista na água. As quilhas grandes de minha prancha responderam bem, mas uma prancha maior teria me possibilitado pegar uma quantidade de ondas maior. Após várias ondas boas me vi gritando do canal para o australiano que remava numa primeira onda da série, que acabou não conseguindo dropar e que ao remar de volta se deparou com uma série de 6 ondas que o varreu para fora em direção à beira sobre o que restava de luz de um fim de tarde até então com as maiores ondas da trip.

Peguei minha saideira quase no escuro... uma intermediária, pois já não tinha muita visibilidade. Agradeci muito por ter vivenciado aquele momento, pois depois do surf na manhã seguinte partiríamos de volta para Bali.

Após checagem de swell e troca de informações com Hugo Monfort resolvemos ir eu e Marcelo Mangaba para G- Land. O surf às vezes é feito de tentativas e muitas vezes temos que arriscar. Colocamos nossas esperanças num swell mediano que prometia boas ondas em G-Land. Hugo estava certo e fomos presenteados com boas ondas durante nossa estada por lá. Se não foram as maiores ondas da trip com certeza foram as mais perfeitas... sem contar com a atmosfera selvagem daquela região da ilha de Java. Quatro dias de bons tubos, novas amizades, algumas boas fotos e contato com a natureza nos deixou no rip e na vibe das ondas da Indonésia pra valer, estávamos prontos para encarar altas ondas.

De volta à Bali, nos juntamos com Caio Capela (catarinense), Ruclécio Lucena e Bruno Macedo (ambos de Recife) e decidimos que o próximo destino seria em direção a Bangko Bangko ou mais precisamente Desert Point. Partimos no dia seguinte para Desert num clássico Kjang Indonésio, dessa vez sem Marcelo Mangaba que tinha que retornar ao Brasil. Hugo Monfort já encontrava-se por lá e passou as informações de como estavam as ondas, já que chegamos à noite. O vento não ajudou muito entrando sempre em torno de 10 da manhã, mas as ondas não paravam de entrar e como disse antes é preciso estar sempre atento ao mar. Desert é uma onda especial e que permite o surf com pranchas menores te dando mais mobilidade para acelerar dentro do tubo. Sim, a onda tem várias sessões de tubo e é preciso acelerar... Desert proporciona sessões de surf intensas e surfistas saindo mar com arranhões é algo comum naquele reef isolado da ilha de Lombok.

Após sair de mais uma sessão, onde peguei o meu melhor tubo da viagem (coincidência?), uma garota saiu do mar com o joelho aberto numa visita indesejada aos corais. O corte foi bem feio e profundo chamando a atenção de todos que estavam por perto. Vi boas ondas de todos na trip e pude ver também alguns tubos e as clássicas rasgadas de Luke Egan que se mostrou um cara bem cool na água diferente de outros surfistas (maioria brasileiros) que estavam sempre em clima de disputa no pico. Desert marca-se pela simplicidade local e pela perfeição da bancada.

Nosso último dia em Lombok foi marcado por uma pequena trip à Ekas, uma onda mais isolada e mais fácil de ser surfada mas que valeu pela experiência de pegar uma daquelas tradicionais canoas indonésias, parar no canal e fazer um surf no crowd e não menos divertido por estar só você, seus amigos de barca e apenas mais outro aventureiro na água. A Indonésia é feita de escolhas, mas o mais importante é que se não é o que você espera, simplesmente "enjoy my friend, enjoy..." afinal, nunca se sabe o que o mar nos reserva para o dia seguinte.

Saudações à todos e boas ondas sempre!

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