Em busca do crowd zero em Morro Negrito, Panamá

Francisco Chagas

Com mais de 30 anos como fotógrafo profissional dedicados ao Surf, cobrindo campeonatos, eventos e viagens de free surf, eu, Francisco Chagas, tive a oportunidade de ver de perto toda a evolução deste esporte durante as últimas décadas.

O surf evoluiu muito em pouco tempo. Seja pelos equipamentos, manobras, estilos e os locais propícios a sua prática. Me recordo das primeiras viagens a Bali, Hawaii, Mexico, Peru... As infrestruturas eram bem mais rústicas e o assunto Crowd não era lá um grande problema, com o advento da internet e a facilidade que hoje temos com o deslocamento; malha aérea, promoções de milhas, GPS e etc, esse item aumentou drasticamente, tornando muitas vezes o que era prazer em um verdadeiro Stress.

Por esse motivo no começo do ano quis iniciar um novo projeto, tentar desvendar paraisos ainda pouco habitados, onde o problema crowd passa longe, sem é claro, não deixar de levar em consideração o potencial das ondas. Comecei desde então a pesquisar, inicialmente abri o programa Google Earth e comecei a observar algumas ilhas em locais bem distantes, ilhas marshall, Tonga, Vanuatu. Pesquisei sobre o potencial de surf dessas regiões; estrutura, praticantes,  trajeto, lingua local, algumas semanas pensando em um point propicio para o primeiro capitulo do meu projeto descobri algo que poderia se encaixar que nem uma luva, observei uma região na America Central próximo a fronteira do Panamá com a Costa Rica repleto de ilhas, no quesito distância, deslocamento aéreo e lingua local me pareceu ser perfeito, mas o mais importante, a qualidade das ondas ainda era um grande misterio, falo da região de Niguiri, que consiste além de parte do território Panamenho em diversas ilhas como: Morro Negrito, Silva de Fora, Silva de Dentro...

Ao pesquisar na internet sobre o potencial das "Olas" deste local vi que as informações não eram numerosas como as dos points já tradicionais, realmente o que se relatava eram ondas de bastante potencial, relatos estes vindo do único surf camping da região, Camping Morro Negrito, como achei que poderiam ser informações suspeitas, fiquei um pouco desconfiado, coisas como comparação às ilhas mentawais me pareciam ser no minimo apelativas, como poderia nos dias de hoje existir um local sem crowd em que suas ondas pudessem ser comparadas aos do supra sumo do surf mundial, ainda mais perto de casa?

Resolvi dar um tiro no escuro e ir checar a veracidade das poucas informações que obtive, para isso precisava de um grupo de surfistas disponíveis para tal aventura. Sai a procura de pessoas com o meu mesmo interesse, o de ir para um local desconhecido, na incerteza de boas ondas, aonde o primordial era o desbravamento, sem saber ao certo o que poderia encontrar, uma decepção ou de fato uma nova descoberta no que se refere ao surf e suas ondas.

Contactando alguns amigos consegui fechar a barca com um grupo de 3 surfistas que encararam o desafio de prima: Gustavo Barbosa, Fabricio Junior e Rafael Rossi. 

Após 5 dias do convinte estava de fato tudo certo, passagens, camping reservado, carro alugado, um barco disponivel e surfistas completamente empolgados. Saímos de Fortaleza com destino final a DAVID, uma das maiores cidades do Panama depois da capital que leva o mesmo nome do País. Chegando lá, pegamos a estrada e o próximo destino era o vilarejo de Quebrada de Piedra, duas horas na estrada com curvas sinuosas nos deparamos com a pequena vila, que mais parecia ser constituida de uma só rua que no final dela encontra-se a casa da Sra. Marily, proprietaria do único camping de surf da região, que nos recebeu com muita simpatia e nos levou para um mangue onde se encontrava uma lancha pilotada pelo Erick, pessoa da qual irai ser nosso guia durante uma semana.

Saindo do mangue e encontrando o mar começamos a perceber a verdadeira beleza do local, ilhas, a fauna e flora, o mar cristalino, beleza comparável a algumas ilhas do Pacifico Sul, 30 mim foi o trajeto até o camping. Ao chegar vimos uma onda perfeita e solitária, parecia mais um desenho, quebrando com no maximo 0,5 metro em cima de uma bancada composta por pedras vulcanicas chamada de Emilys, mesmo com um tamanho pequeno serviu de palco para a primeira session.

O nosso capitão Erick algumas horas depois nos chamou para apresentar os points em um mapa e posteriormente in loco, nos explicou que haveria um swell com bom tamanho e periodo de 18 segundos que iria atingir a região em poucos dias.

Fomos apresentados a diversos points e beach breaks, picos de ondas de 2 metros como La Punta, Nestles, Left Overs e a mais desafiadora P-Land, que segundo o nosso guia possui as maiores ondas da região, em alguns momentos torna-se muito tenebrozo pois no trilho da onda você pode se deparar com cabeças de pedras.

Escutamos todas as historias do nosso amigo guía e realmente estava dificil deimaginar essas ondas com as condições que estavam no dia, somente os beach breaks funcionavam com no maximo 0,5 metro, contudo depois de 4 dias de espera as historias do Erick se consumaram, incrível!! tinham mais de 15 points de surf funcionando em excelentes condições de até 2 metros de ondas para todos os niveis de surfistas e o melhor, somente 6 caras na água, como o tempo era curto e não tínhamos como surfar todos os picos da região priorizamos as ondas de EMILYS, que sem dúvida é a onda mais perfeita da região, muito parecido com Pasta Point, nas Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, e fica em frente ao camping, Left Overs, com ondas interminaveis para a esquerda, proporcionando sessões de manobras e tubos, P-Land, La Punta e o tal The Box Panamenho Nestles. 

Todos fizeram a cabeça com a quantidade de ondas do local, momentos tensos como em La Punta, onda forte e tubular e um pequeno erro pode ser fatal pela proximidade com fundo de pedras, mas também tivemos momentos de relax ao surfar ondas como Left Overs e a perfeita onda de Emilys, todas as ondas quebrando em fundo de coral e pedras vulcanicas.

O tiro no escuro deu certo, conheci um local fantástico pela beleza, hospitalidade e principalemente pela enorme variedade de ondas próximas uma das outras que permite um bom surf para qualquer nivel. 

Simplesmente voltei ao passado e tive a mesma sensação quando conheci pela primeira vez; G-Land, Lombok, Frigates Pass e outras centenas de picos que foram grampeados na minha mente para sempre.

O projeto continua, qual será o próximo surf point?? aguardem!!!

Texto e fotos por: Francisco Chagas 

Apoios: VITALNATURA | ICONERENT A CAR | 

MORRO NEGRITO SURF CAMP (www.morronegrito.travel) 

marilyn@morronegrito.travel

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