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Austrália

Brasil Domina 6 estrelas em Newcastle, Austrália

João Carvalho

O catarinense Willian Cardoso, 26 anos, ganhou a inédita final entre dois brasileiros no tradicional Surfest Newcastle na Austrália

A vitória só foi conquistada nos últimos minutos, quando conseguiu sua única onda boa na bateria para superar o paulista Filipe Toledo, 16, que se destacou no domingo com seus aéreos de backside nas esquerdas de Merewether Beach. Outro paulista, Hizunomê Bettero, 26, também surfou bem no último dia e só perdeu para o campeão na semifinal já verde-amarela no Burton Toyota Pro. Ele dividiu com o norte-americano Gabe Kling, 31, o terceiro lugar no ASP 6-Star de Newcastle.

Uma interferência assinalada pelos juízes para o jovem surfista de Ubatuba logo no início da final acabou decidindo o título, pois como penalidade só computaria uma nota contra duas do catarinense. Filipe começou na frente com 6,33 na primeira onda e na segunda acertou de novo o “backside air-reverse” que arrancou o único 10 do campeonato na semifinal. Só que Willian pegou a onda antes dele, tinha a prioridade de escolha e a penalidade foi marcada. Com isso, Filipe perdeu a nota 7,87 que tinha recebido e só ficou com a 6,33.

Mesmo assim, permaneceu na frente durante quase toda a bateria, pois Willian não conseguia achar boas ondas para entrar na disputa. Filipe ainda pega uma esquerda a 7 minutos do fim e arrisca a manobra nota 10 mais uma vez, acerta e ganha 9,5 em outro aéreo reverse “no hands” de backside para aumentar a vantagem para 6,34 pontos. Três minutos depois, Willian finalmente acha uma onda com parede para encaixar três manobras fortes de backside com velocidade e receber nota 7,43. Com ela, atingiu 10,60 pontos impossíveis de serem alcançados por Filipe Toledo, nem conseguindo outro 10 com seus aéreos.

“Eu estou muito, muito feliz!”, disse Willian Cardoso. "Eu estava aqui quando o Adriano (de Souza) venceu em 2008, o Neco (Padaratz em 2006) que é lá da minha cidade (Balneário Camboriú) também venceu, então é uma honra para mim. Foi uma bateria difícil e eu estava muito, muito nervoso. Quando o Filipe (Toledo) fez a interferência, eu só precisava de uma nota pequena e eu só caía, as ondas fechavam logo. Mas, no final ela veio e com a nota 7 e pouco eu sabia que tinha ganhado, felizmente”.

Enquanto Willian derrubava seus adversários com a força das manobras de backside nas partes críticas das ondas, Filipe Toledo usou os aéreos rodando sem as mãos na prancha. Foi assim que ele ganhou o único 10 do Burton Toyota Pro na onda que pegou quando faltavam 3 minutos para terminar a semifinal até ali sempre liderada pelo americano Gabe Kling. Na final repetiu a dose e recebeu 9,50, mas foi ultrapassado pelas duas notas de Willian Cardoso com a marcação da interferência.

“Eu não vi como interferência, é decepcionante, mas estou feliz também pelo segundo lugar em uma final toda brasileira”, disse Filipe Toledo. “Foi um bom resultado para a temporada e espero conseguir outros neste ano nas etapas que eu puder competir. Eu realmente gosto de fazer os aéreos, tenho treinado muito essa manobra e é trabalhando que a gente consegue”.

Com os 2.640 pontos do vice-campeonato, Filipe saltou do 103.o para o 28.o lugar no ASP World Ranking. Se vencesse, entraria na lista provisória dos dez surfistas que completarão os top-34 do Dream Tour no ano que vem. Isto retirando-se os 22 que são mantidos na elite pelo ranking da corrida do título mundial, que foi inaugurado com a vitória de Taj Burrow sobre Adriano de Souza na Gold Coast.

O campeão Willian Cardoso recebeu 3.500 pontos e subiu para oitavo no ranking unificado, encabeçando o grupo dos dez porque os que estão a sua frente fazem parte dos top-22 do ASP Tour. Na verdade, são três catarinenses no topo do G-10 do ASP World Ranking, ele, Jean da Silva e Ricardo dos Santos. Os paulistas Wiggolly Dantas e Gabriel Medina fecham esta relação no momento e Filipe Toledo ficou bem próximo da zona de classificação.

O Brasil também encabeçou a lista de recordes do Burton Toyota Pro. Até Filipe Toledo tirar a nota máxima, o recordista absoluto era outro paulista de Ubatuba, Hizunomê Bettero. Na oitava de final contra o australiano David Vlug, ele totalizou 18,60 pontos com notas 9,67 e 8,93 das suas duas melhores ondas.

Os três últimos surfistas do grupo dos top-34 do ASP Tour foram barrados nas oitavas de final que abriram o domingo decisivo. O campeão da primeira etapa da temporada na Gold Coast, Taj Burrow, caiu no primeiro duelo do dia para o norte-americano Nat Young. Adam Melling perdeu o segundo para Filipe Toledo. E no quarto Adrian Buchan foi superado por outro jovem talento dos Estados Unidos, Evan Geiselman.

Mas, Taj Burrow já havia assumido a liderança também no ASP World Ranking 2012, que estava com Miguel Pupo desde a sua vitória em outra final brasileira no primeiro Prime de 6.500 pontos do ano, o Hang Loose Pro Contest em Fernando de Noronha (PE). O segundo acontece na próxima semana, o Telstra Drug Aware Pro em Margaret River, que terá participação de Kelly Slater e de muitas outras estrelas do ASP Tour, além dos brasileiros que chegam com moral para buscar outra vitória na Austrália.

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FINAL DO BURTON TOYOTA PRO:

Campeão: Willian Cardoso (BRA) com 10,60 pontos – US$ 25.000 e 3.500 pontos

Vice-campeão: Filipe Toledo (BRA) com 9,50 pontos – US$ 12.500 e 2.640 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar – US$ 6.150 e 2.080 pontos:

1.a: Filipe Toledo (BRA) 15.00 x 12.07 Gabe Kling (EUA)

2.a: Willian Cardoso (BRA) 14.40 x 11.27 Hizunomê Bettero (BRA)

TOP-30 DO ASP WORLD RANKING 2012 – 9 etapas:

01: Taj Burrow (AUS) – 11.545 pontos

02: Miguel Pupo (BRA) – 10.750

03: Josh Kerr (AUS) – 8.016

04: Adriano de Souza (BRA) – 8.000

05: Adrian Buchan (AUS) – 7.680

06: Jordy Smith (AFR) – 7.420

07: Joel Parkinson (AUS) – 6.370

08: Willian Cardoso (BRA) – 5.900 – 1.o do G-10

09: Jean da Silva (BRA) – 5.450 – 2.o do G-10

10: Kelly Slater (EUA) – 5.200

10: Owen Wright (AUS) – 5.200

12: Julian Wilson (AUS) – 5.000

13: Joan Duru (FRA) – 4.930 – 3.o do G-10

14: Ricardo dos Santos (BRA) – 4.611 – 4.o do G-10

15: Evan Geiselman (EUA) – 4.600 – 4.o do G-10

16: Matt Banting (AUS) – 4.561 – 5.o do G-10

17: Brian Toth (PRI) – 4.225 – 7.o do G-10

18: Raoni Monteiro (BRA) – 4.150

19: Michel Bourez (TAH) – 4.000

19: Heitor Alves (BRA) – 4.000

21: Damien Hobgood (EUA) – 3.980 – 8.o do G-10

22: Wiggolly Dantas (BRA) – 3.836 – 9.o do G-10

23: Adam Melling (AUS) – 3.827

24: Gabriel Medina (BRA) – 3.820 – 10.o do G-10

25: John John Florence (HAV) – 3.750

26: Chris Ward (EUA) – 3.589

27: Gabe Kling (EUA) – 3.420

28: Filipe Toledo (BRA) – 3.340

29: Mitchel Coleborn (AUS) – 3.274

30: Granger Larsen (HAV) e Dion Atkinson (AUS) – 3.086

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