Brasil

Alexandre Ferraz respirando surf em busca das ondas gigantes

Marcelo Sá Barreto

Ser inteligente é saber atacar nos momentos certos. Recuar, idem. Assim, o pernambucano Alexandre Ferraz (Xandinho) cava o seu espaço entre os homens do planeta que perseguem grandes ondulações para testar os limites

Sem dinheiro suficiente para “caçar” e viajar do dia para a noite em busca do extremo, Xandinho faz o possível. E bem. Este ano, na Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha, e na Urca do Minhoto, no Rio Grande do Norte, pôde descer as maiores. E reuniu material suficiente para se colocar entre os mais atirados da temporada. Os prêmios oferecidos aos big riders vão comprovar o que está registrados pelas câmeras e vídeos.

Na temporada que se avizinha (2013/2014), a ordem é, novamente, se dedicar ao máximo às ondas do Havaí. E se jogar. Até porque, com poucas balas na agulha, puxar o bico não faz parte do repertório do surfista moldado nas ondas de Serrambi-PE.

“Ainda não dá para viajar o ano todo, em busca das grandes ondulações. A previsão é feita em cima da hora. E as passagens, geralmente, mais caras. Além disso, teria de abandonar meus alunos, já que também sou personal trainer. Não tive ainda oportunidade de explorar ondas como Teahupoo, Fiji, entre outros picos. Coloquei metas possíveis de alcançar. No Brasil, pegar ondas grandes em Fernando de Noronha, Urca do Minhoto, entre outros fundos de corais e lajes, além de correr atrás de picos tubulares para manter o ritmo.”

Em 2010, Xandinho decidiu correr atrás do seu sonho. Vendeu tudo que tinha no Recife e apostou numa trip para o Havaí. Um ano depois, estava de volta ao arquipélago. Dessa vez, caiu em Jaws muito grande, na remada. Como investe na sua preparação física, com treinos funcionais quatro vezes por semana, com o preparador Sidarta Geber, e com a prática da Iyengar Yoga, conseguiu vencer um quebra-coco terrível para chegar a uma das ondas mais temidas do mundo. E botou para baixo. “Surfei Jaws na remada e, este ano, a meta continua. Só que é surfar essa onda em uma proporção maior e tentar pegar um tubão gigante”.

A disposição de Xandinho vem dando frutos. Este ano, na Cacimba do Padre, voltou a pegar uma bomba semelhante à que levou a vencer o Prêmio Greenish de maior onda surfada no Brasil. Vai ser com essa que vai tentar o bicampeonato. Como fez parte da comissão julgadora, entende que não pode cantar vitória antes do tempo. Mas está confiante.

“Fui campeão em 2008 e, ano passado, fui um dos oito juízes e sei que é muito difícil de analisar e escolher a maior onda. Por mais que tentemos medir com precisão é muito subjetivo, pois a análise envolve ângulo, que foi feito a imagem, grau de dificuldade, performance, entre outros fatores. Este ano, surfei algumas bombas no Brasil. Com certeza, as maiores que já surfei. E tenho uma onda boa que vou colocar para concorrer, mas vai ficar a critério de análise dos juízes”, concluiu.

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