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Alejo Muniz anuncia aposentadoria ao fim da temporada 2026 do CT, encerrando uma carreira marcada por resiliência e legado na WSL

Nascido na Argentina e criado no Brasil, Muniz superou lesões graves e se despede do surf profissional como símbolo de disciplina e perseverança

10/Fev/2026 - WSL

São Paulo, Brasil (segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026) – Alejo Muniz (BRA) encerrará sua carreira competitiva no surf mundial ao final da temporada 2026, quando disputará seu último evento do CT, programado para o Lexus Pipe Masters, no Havaí. Argentino de nascimento e brasileiro de coração, o surfista construiu uma trajetória marcada não apenas por resultados, mas por uma das histórias de retorno mais emblemáticas da WSL.

Muniz se classificou para o CT em 2011 e causou impacto imediato ao terminar sua temporada de estreia como 10º do mundo, um feito de destaque que o apresentou como um forte concorrente entre a elite global. Ele conquistou respeito por seu surf potente e completo, com heat wins memoráveis contra lendas como o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater (USA) em Pipeline.

Além do CT, Muniz construiu um legado sólido no QS, com grandes vitórias em eventos prestigiados como o Vans US Open of Surfing, Ballito Pro e Hang Loose Pro. Em 2022, venceu o evento em casa, em Mar del Plata, na Argentina, além do Circuito Banco do Brasil de Surfe, em Ubatuba (SP), no mesmo ano.

Presença constante entre a elite entre 2011 e 2016, Alejo viveu depois a mais longa ausência já registrada por um atleta do CT: oito anos fora do Tour. O período foi marcado por lesões graves, incluindo cirurgias em ambos os joelhos, além de campanhas frustrantes no QS e no CS, sempre ficando muito perto da tão aguardada reclassificação.

“Voltar ao CT depois de oito anos foi um verdadeiro sonho. Foi muito mais emocionante do que a primeira vez. Estar mais velho agora, depois de duas cirurgias e de bater tantas vezes na porta sem conseguir entrar, exigiu muito mais do meu corpo e da minha mente. Eu precisava provar para mim mesmo que ainda era capaz”, relembra Muniz.

O retorno foi finalmente garantido ao fim de 2024, via CS, com a confirmação da vaga para a temporada 2025. No CT, porém, os resultados foram irregulares. Seus melhores desempenhos foram um nono lugar no Surf City El Salvador Pro e um terceiro lugar (empate) no Bonsoy Gold Coast Pro, na Austrália. Entre altos e baixos, ele chegou ao último evento antes do Mid-season Cut, em Margaret River, precisando, no mínimo, alcançar as Quarterfinals para permanecer entre a elite.

Eliminado na segunda fase, Alejo passou a depender de uma combinação improvável de resultados, e tudo acabou acontecendo. Todos os surfistas que poderiam ultrapassá-lo foram sendo eliminados ao longo do evento, restando apenas Imaikalani deVault (HAW), que precisaria vencer a etapa. A eliminação de DeVault nas Quarterfinals garantiu matematicamente a permanência de Alejo no CT.

Muniz encerrou o ano com 14.725 pontos, apenas 275 pontos à frente de Matthew McGillivray (RSA), o primeiro surfista fora da zona de classificação, uma margem mínima que simboliza o quão apertada foi a conquista de sua vaga.

Integrante da primeira geração da Brazilian Storm, Muniz se orgulha do papel que desempenhou em um dos períodos mais vitoriosos do surf brasileiro. Para ele, seu principal legado vai além de troféus.

“Tenho muito orgulho de ter feito parte da Brazilian Storm. Minha marca não foi baseada apenas em resultados ou performance, mas em disciplina, comprometimento e profissionalismo. Esse é o exemplo que eu gostaria de deixar, inclusive para o meu filho: nunca desistir, ser profissional e manter a disciplina”, afirmou Muniz.

As lesões, apesar de duras, também ajudaram a moldar sua jornada. “Claro que ninguém quer se machucar, mas hoje vejo que elas acabam trazendo beleza para a minha carreira. Me fizeram crescer, me tornaram mais forte e mostraram o quanto eu amo surfar. Quando você fica sem, é que aprende a valorizar”, refletiu.

Com uma vida inteira conectada ao esporte — seu pai comanda uma escola de surf há três décadas —, Alejo resume sua relação com o oceano de forma direta. “O surf é tudo para mim. Me deu sustento, amizades, oportunidades, me levou a lugares que eu nunca imaginei e me deu a família que tenho hoje. Eu devo tudo ao surf”, destacou.

Olhando para frente, o plano é claro: viver intensamente o último ano no Tour. “Quero aproveitar meu último ano no CT da melhor forma possível, ser o mais profissional que eu puder. Depois da carreira, quero viajar em surf trips, ir a lugares onde nunca consegui competir e, talvez, passar tudo o que aprendi para a próxima geração. Eu sei o quanto é importante ter alguém ao lado do atleta”, projetou.

Ao se despedir do CT em 2026, Alejo Muniz deixa o Tour como símbolo de persistência, profissionalismo e amor dedicado ao surf — valores que ajudaram a construir não apenas a sua própria história, mas também um capítulo importante do surf brasileiro no cenário mundial.