#ondas grandes 
Polinésia Francesa

Acidente de barco em Teahupoo

Inaldo Vieira

A bancada mais temida do mundo voltou a mostrar sua fúria no primeiro dia de junho. Junto com o swell vieram vários big rides de toda parte do planeta. Tahitianos, brasileiros, havaianos, franceses, marroquinos, australianos e vários outros

O mar amanheceu bastante mexido e com series de 10 a 12 pés. Alguns surfistas se aventuraram numa sessão rápida na remada. Isso porque por volta das 8:00 entrou uma serie de 15 pés sólidos, bastante tubular e muito perigosa.

Logo em seguida o surfista local Nicolah Lethan e seu parceiro Gen "THE CHARGER" Showed UP começaram a session. O tahitiano com descendência asiática colocou pra baixo numa onda gigantesca e pegou um tubo animal.

E a brincadeira de gente grande realmente havia começado. Estava no jet ski com o Pedro Manga esperando o momento ideal para ir ao outside. Tudo estava bem desorganizado e o line up estava tão indefinido que haviam barcos por toda parte, ate mesmo onde a onda quebrava. O californiano Trevor Carlson, que faz parte do team, pediu para o Pedro colocá-lo numa onda, já que estávamos só analisando. "Não me senti a vontade de ser o primeiro do dia". Disse o Manga, e concordei plenamente com ele. Estava bem perigoso.

Os dois foram para o line up e eu fiquei na minha prancha no canal com outros que haviam acabado de fazer a sessão na remada. Foi quando Nesse momento, estava conversando com o Body boarder, Tristan Farmer e uma enorme serie entrou pegando todos de surpresa. Detalhe que estava na minha tow board e com colete de salva vidas, tornando difícil furar uma onda. A onda tinha uns 15 pés e quando me deu conta do perigo remei pela minha vida para passar aquela onda. Consegui passar nas ultimas e o repuxo me fez ser sugado ainda mais para baixo do pico. Foi quando a segunda onda, tão grande como a primeira, veio bem de oeste. Comecei a remar ainda mais forte e sabia que não daria para furar aquela onda de colete. Joguei a prancha pro lado e mergulhei o máximo que pude. Senti o repuxo da onda mas graças a Deus não voltei com a onda. Não havia terceira nem quarta onda e consegui pegar minha prancha de volta. Mesmo nesse momento remei pela vida para sair daquela situação, já que, ainda estava bem abaixo e próximo à bancada de coral.

Ao chegar no canal reconheci o Robert Isambert, cinegrafista e bodyboarder de San Diego, num dos barcos. Pedi para subir e descansar um pouco. Nele também estava a Camila "Caca" Neves, fotógrafa de surf e colaboradora das maiorias mídias nacionais e internacionais do esporte. O Canal estava exprimido e muitos barcos começaram a chegar perto de mais do canal. Foi quando outra serie de Oeste começou a brotar no horizonte e infelizmente o capitão calculou errado e quase fomos arremessados na bancada. Ficamos totalmente verticais na onda. E a Camila acabou batendo com a lombar. Fomos para a marina urgente e prestamos os primeiros socorros. Em 5 minutos a ambulância chegou e a tiramos do barco numa maca. Chegamos ao hospital e fomos para a emergência, onde os médicos tiraram o Raio X e verificaram que ela acabou lesionando seriamente a lombar.

Ontem os médicos fizeram outro laudo e constataram que ela havia quebrado 3 vértebras. Eles estão cuidando seriamente do caso e estão fazendo testes em 30 minutos de intervalo para terem certeza que ela ainda está consciente. Falei com ela no telefone e ela continua sentindo muita dor e os médicos estão dando todos os sedativos possíveis.

Gracas a Deus ela está mexendo os bracos e os pés, acredito que ela vai ficar muito bem. Peço a todos vocês que orem por ela. Ela precisa de muita forca nesse momento e de muita proteção.

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