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Vala, canal, corrente de retorno: o que é e como identificar

Lidiane Jordão

Saber identificar uma vala pode poupar uma boa energia para você gastar na hora certa. Você sabe identificar uma?

Vala, canal, corrente de retorno, corrente de ressaca, repuxo, lagamar... e onde você mora, tem outro nome? Todos esses nomes servem para designar aquela corrente que todo surfista gosta, pois é justamente ela que facilita a entrada no mar fazendo com que você chegue no outside com mais facilidade e tomando menos ondas na cabeça.

As correntes podem ser de tamanho, intensidade, e velocidade diferentes. São mais fortes na maré baixa e com a presença de ondas maiores. Normalmente, são mais facilmente identificadas quando vistas de cima, mas é bem tranquilo também de identificar da areia, ao nível da praia, basta manter os olhos atentos e perceber os sinais.

Quando estamos em praias mais abertas e mais expostas (com longas faixas de areia), temos uma maior incidência dessas correntes. Elas se formam entre dois locais mais rasos na praia, ou seja, entre dois bancos de areia. Normalmente é o local onde duas ondas em sentidos opostos se encontram.

Como funciona esse fenômeno? As águas se dissipam com a quebra das ondas e chegam à praia, depois elas fazem o caminho de retorno da areia em direção ao mar pelo ponto onde encontrarem menor resistência. Esses pontos são os canais onde a faixa de areia é mais profunda e por isso as vezes acabam deixando a água com uma coloração mais escura. Muitas vezes elas também possuem uma coloração mais marrom, devido ao agito da areia causada pelo movimento no fundo, através do retorno das águas.

Exemplo da vala (seta vermelha) em fundo de areia. As setas veres representam as zonas de arrebentação (zons de surf).

Você também pode observar o lugar com menor incidência de ondas -  com menos espuma branca - ou seja, um local aparentemente mais calmo em comparação com a zona de arrebentação. A água apresenta uma aparência mais calma, mas é possível visualizar pequenas ondulações na superfície da água ocasionadas por esse movimento de retorno em direção ao mar.

Quando o fundo é de areia essas valas são ditas fixas, até que o fundo mude novamente. Valas em fundo de areia podem mudar de lugar principalmente após uma ressaca, que remove e move muita areia do fundo, mudando a conformidade e batimetria daquela praia. Já em fundos de pedra, essas correntes são permanentes. Outro local onde elas são permanentes são nos cantos de praias, pois elas são sempre encontradas próximas a grandes obstáculos como as pedras e rochas que costumas delinear esses cantos.

Exemplo da vala (seta vermelha) em fundo de pedra e canto de praia. Foto de Nick Wehrli no Pexels.

dentro do mar a percepção dessas correntes é diferente. Se você está tentando se manter no pico e não está conseguindo, possivelmente está dentro de uma corrente. Também fique atento se você está há muito tempo sem pegar onda e está olhando para os lados e vendo outros surfistas começando a onda e terminando próximo de você, ou se você está remando muito e não está entrando na onda. Lembre-se de que as ondas terminam na vala, então, este é outro indicativo de que você precisa se reposicionar.

Outro indicativo é a mudança da temperatura da água. A vala possui um início (também chamado de boca) que é a parte que fica na areia da praia, o meio (também chamado de pescoço), que é o canal onde ocorre a passagem da água da parte rasa para a parte funda da praia e o fim (também conhecido como cabeça da vala), que é a parte onde a água que estava retornando se dissipa. Nesta parte que se encontra além da linha de arrebentação, a água tem uma temperatura mais fria devido ao retorno de águas mais profundas.

Para nós surfistas, saber identificar uma vala pode economizar um tremendo esforço que poderá ser melhor utilizado durante a sessão de surf! É isso, surfista. Fique atento aos sinais e bom surf. Aloha!

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Lidiane Jordão é formada em Educação Física, apaixonada pelo mundo da atividade física e todas as  suas possibilidades. "Nem sempre fui surf, mas sempre fui mar de alguma forma". Iniciou no body surf, depois veio o sup e em seguida uma breve experiência pelo kite surf. Hoje em dia segue evoluindo no surf de pranchinha. Cada vez mais envolvida por esse esporte maravilhoso.

Instagram: @lidiriosurf

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