O curta-metragem “Entre Mundos”, protagonizado e produzido pela big rider Juliana Frare, foi selecionado para o International Surf Film Festival d’Anglet, na França, referência mundial no universo do surf e do audiovisual.
O evento será realizado entre os dias 19 e 22 de agosto, em Anglet. Agora, a atleta e mãe de quatro filhos mobiliza uma campanha virtual para conseguir viajar e acompanhar a premiação presencialmente. Mais do que isso, representar o surf feminino brasileiro no cenário internacional.
O filme, dirigido por Thiago Gonçalves, já vinha ganhando destaque desde a conquista do prêmio de “Melhor narrativa feminina no esporte” no Na Borda Surf Festival 2025, em Santos. Mas a confirmação da seleção internacional elevou o projeto a um novo patamar.
“Entre tantos filmes e documentários enviados do mundo inteiro, uma história brasileira conquistou seu espaço”, destacou Juliana.
Mais do que um documentário sobre ondas grandes, “Entre Mundos” mergulha em temas como transformação pessoal, maternidade, pertencimento, força feminina e superação. O curta também traz relatos íntimos da surfista sobre violência doméstica e o processo de reconstrução de sua vida dentro e fora do mar.
“O ‘Entre Mundos’ começou a ganhar uma repercussão muito bonita e decidi inscrever o filme em alguns festivais internacionais. Desde o início eu acreditava muito na potência da mensagem do filme. Quando recebi a confirmação de Anglet, foi uma emoção enorme”, contou a surfista. “Toda a interação foi muito especial e acolhedora, principalmente por perceber o interesse deles em uma história tão humana, sensível e brasileira”.
VAQUINHA
Para tornar a viagem possível, Juliana abriu uma vaquinha virtual destinada aos custos da ida para a França. Segundo ela, tudo aconteceu de forma muito rápida, exigindo mobilização imediata.
“Decidi abrir uma campanha para conseguir viabilizar essa viagem e permitir que eu esteja presente representando o Brasil, o surf feminino e o cinema independente nesse momento tão importante. Qualquer apoio faz diferença e acaba se tornando parte dessa conquista também”, explicou.
Juliana admite que jamais imaginou tamanha repercussão quando decidiu produzir o curta. “O projeto nasceu muito mais de uma necessidade de expressão, de contar uma história real e profunda, do que pensando onde ele poderia chegar. Então viver tudo isso hoje é muito emocionante”.
O reconhecimento recebido após a vitória no Na Borda Surf Festival também ajudou a impulsionar novos horizontes. “Recebi mensagens de pessoas dizendo que se sentiram representadas, emocionadas e inspiradas. Acho que o maior presente foi perceber que o filme ultrapassou o surf e conseguiu tocar pessoas através das emoções, da vulnerabilidade e da força humana”.
INTENSA
Aos 39 anos, Juliana vive uma das fases mais intensas de sua trajetória. Enquanto busca espaço no seleto universo do big surf feminino, precisa conciliar treinos, competições, produção audiovisual e a criação dos quatro filhos. Uma rotina desafiadora que acabou se tornando justamente a essência do filme.
Determinada e apaixonada pelo mar, ela decidiu expor sem filtros sua realidade, mostrando dores, medos, recomeços e a luta diária para continuar perseguindo sonhos considerados improváveis. O resultado emocionou o público nas primeiras exibições e agora ganha reconhecimento internacional.
“É difícil até colocar em palavras. Acho que representa a confirmação de que histórias reais, humanas e feitas com verdade conseguem tocar pessoas em qualquer lugar do mundo”, afirmou. “Ver um projeto tão íntimo atravessar o oceano e chegar em um dos maiores festivais de cinema de surf do mundo é muito simbólico pra mim. Como mulher, mãe, atleta e artista brasileira, sinto que estou representando muitas camadas e muitas pessoas junto comigo”.
COMPETINDO
Além do cinema, Juliana também segue evoluindo no esporte. Recentemente, fez sua estreia no circuito brasileiro de ondas grandes, considerado um marco em sua carreira. “Meu objetivo é seguir evoluindo para alcançar a elite do big surf feminino mundial, sempre equilibrando essa jornada com a maternidade e todos os desafios que fazem parte da minha história”.
Entre mares revoltos, câmeras, cicatrizes e sonhos, Juliana Frare agora vê sua história ecoar do outro lado do oceano. E “Entre Mundos” deixa de ser apenas um filme sobre surf para se transformar em um manifesto de resistência, coragem e sobrevivência feminina.