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Mundial de surf desembarca na Nova Zelândia pela primeira vez em mais de uma década para a estreia do Corona Cero New Zealand Pro

Manu Bay, em Raglan, recebe a etapa inaugural de 15 a 25 de maio, com três wildcards locais entrando na chave principal contra os melhores do mundo

12/Mai/2026 - Equipe Surfguru - Nova Zelândia

MANU BAY, Raglan, Nova Zelândia (sábado, 9 de maio de 2026) – A quarta etapa do Championship Tour (CT) 2026 da World Surf League (WSL) marca um momento histórico para o circuito mundial. Pela primeira vez, Manu Bay, a icônica esquerda de Raglan, vai receber o CT, abrindo um novo capítulo na história do surfe profissional na Nova Zelândia, país que esteve presente desde os primórdios do Tour, em 1976.

A parada em terras neozelandesas chega na sequência de uma final eletrizante do GWM Aussie Treble, encerrado no Bonsoy Gold Coast Pro Presented by GWM, e representa a primeira esquerda dedicada da temporada. É também o primeiro evento do CT em Aotearoa desde 2013, quando o circuito feminino fechou uma série de quatro temporadas em Taranaki, entre 2010 e 2013. Aquela primeira edição, em 2010, foi vencida pela havaiana Carissa Moore, que conquistou seu primeiro título no CT como rookie e doou todo o prêmio ao clube de surfe local. Para o masculino, a espera foi ainda maior: a última vez que os melhores do mundo competiram em solo neozelandês foi em 1976, quando o australiano Michael Peterson venceu a etapa de abertura do circuito profissional em North Piha.

Manu Bay, a esquerda dos sonhos

Raglan é formada por três pontas de esquerda em sequência e povoa o imaginário dos surfistas desde que apareceu no clássico The Endless Summer, em 1966. A onda começa em Indicators, com paredes longas e perfeitas para surfe de linha, passa por Whale Bay, mais curta e cadenciada, e termina em Manu Bay, palco do evento. Manu é a mais acessível e popular das três, conhecida por uma seção inicial que abre um tubo gostoso quando o swell entra com tamanho, antes de virar uma parede longa e atacável bahia adentro. O lugar já recebeu uma etapa do Qualifying Series em 1995, vencida pelo goofy-footer australiano Luke Egan, que hoje treina vários surfistas do CT.

Três wildcards locais entram na chave

Três representantes da Nova Zelândia receberam wildcards para enfrentar a elite mundial. Billy Stairmand, morador de Raglan e o neozelandês mais bem colocado no Challenger Series, ficou com o convite da WSL. Alani Morse e Tom Butland, por sua vez, garantiram suas vagas após vencerem o Backdoor King and Queen of the Point Presented by Quiksilver, Roxy and WSL, seletiva oficial do evento, que reuniu um campo recorde de participantes.

Stairmand, nove vezes campeão nacional, bicampeão olímpico e veterano do Challenger Series, vai vestir uma lycra do CT pela primeira vez na carreira, na frente da torcida da casa.

"Isso é loucura e muito surreal pra mim. Estou no QS e no Challenger Series há mais de 15 anos, batendo na porta do CT, e cheguei perto algumas vezes. Mas agora, conseguir essa oportunidade e ser em casa, no meu quintal, na frente de todos os meus amigos, família, comunidade e país, é uma honra e um privilégio gigantes. Eu sonhava em competir no CT, e fazer isso em casa é simplesmente uma loucura. O Championship Tour vindo para a Nova Zelândia é uma oportunidade enorme para todo mundo, e é algo muito importante para todos os neozelandeses. Raglan é uma cidadezinha linda com ondas incríveis, então estou muito feliz de ver os melhores do mundo conhecerem este lugar", disse Stairmand.

Alani Morse, de apenas 15 anos, foi a competidora mais jovem da final do Queen of the Point e protagonizou uma virada dramática sobre a ex-CT Paige Hareb, saltando do quarto para o primeiro lugar com uma nota no estouro do cronômetro. Nascida em Auckland, mudou-se para Raglan ainda criança com a família e se desenvolveu na Raglan Surfing Academy ao lado do irmão, Theo Morse. Tem um surfe que mistura progressão e potência, especialmente de backside em Manu Bay.

"Estou super honrada de estar nessa posição, e acontecer tão cedo na minha carreira é muito especial. Foi muito legal competir na frente da minha cidade e sentir todo o apoio da comunidade. Estou bombando para competir contra meus ídolos e absorver tudo, porque é uma oportunidade muito legal. Aconteceu tudo num espaço de tempo muito curto, e eu já aprendi muita coisa, mas sei que vou aprender muito mais. Já tive boas vitórias antes, mas ser carregada pela praia depois daquele momento no estouro foi loucura. Todas as minhas vitórias foram pessoais, mas essa eu senti que estava dividindo com a comunidade inteira, e muita gente entrou em contato de todos os cantos do país também. Foi muito especial", contou Morse.

Tom Butland, de 24 anos, cresceu em Taranaki depois que a família se mudou de Wellington ainda quando ele era pequeno, o que lhe deu uma seleção de ondas ideal para desenvolver o estilo. Hoje conhecido mais pelo free surfe, com uma pegada que mistura aéreos de alto nível com uma base de potência, ele teve uma trajetória competitiva sólida na base e agora retorna ao formato em grande estilo. Sua estreia será contra o rookie sul-africano Luke Thompson, na bateria de abertura do masculino.

"Vencer a seletiva e conseguir uma vaga no evento principal é uma loucura de pensar. Estou meio em choque com isso. Não consigo acreditar, pra ser sincero. As condições apareceram pra gente na final, e a galera estava arrasando. Eu só pensava que tinha que ir com tudo, senão os caras iam me derrubar. Eu fiquei lesionado o ano inteiro passado com meu joelho, depois machuquei o ombro e o cotovelo, então foi um ano muito difícil. Isso faz essa conquista parecer ainda mais especial", afirmou Butland.

Corona Cero amplia parceria com a WSL em evento histórico

Patrocinadora global oficial de cerveja da WSL, a Corona Cero é a Title do evento inaugural do CT em Raglan. A parceria entre Corona e WSL já dura nove anos, e a marca de cerveja sem álcool, premiada internacionalmente, vai marcar presença no local com ativações para o público e para os atletas. Espectadores com idade legal para consumo poderão experimentar a cerveja em um lounge com vista privilegiada para o pico. Para quem está longe, a marca vai produzir conteúdo digital com histórias locais sob a ótica do conceito "This is Living".

Como assistir

O Corona Cero New Zealand Pro Presented by Bonsoy, etapa 4 do CT 2026, tem janela de competição entre 15 e 25 de maio. As baterias começam às 8h, horário local da Nova Zelândia (17h do dia anterior, em Brasília). A transmissão ao vivo será no WorldSurfLeague.com e no aplicativo gratuito da WSL.