“Foi o meu renascimento de verdade. Mesmo diante da dor e do sofrimento, eu sempre mantive o pensamento positivo e quis retornar ao mar. Hoje também dou palestras sobre o Outubro Rosa. O surfe, para mim, é meu habitat, minha conexão. A tatuagem significa tudo isso. Quis fazer essa homenagem à Neymara, porque ela merece muito. É minha ídola.”, conta Cintya.
A categoria também reúne atletas que chegam ao mar vindas de outras modalidades. É o caso de Renata Bazone, carioca que mora no Espírito Santo desde bebê e hoje vive na Serra (ES). Atleta com deficiência visual, Renata foi campeã mundial de atletismo paralímpico nos 800 metros T11, para atletas cegos, e medalhista de bronze nos 1.500 metros T11, no Catar em 2015. Ela também compete no Wahine e chega à edição de 2026 para defender os títulos conquistados nas duas últimas edições da competição.
Renata Bazone foi 4º lugar nos 1.500 metros T11, cego total, na Rio 2016 e duas vezes medalhista no Campeonato Mundial de Atletismo Paralímpico de Doha, em 2015 (ouro e bronze)
Renata tem retinose pigmentar, uma doença degenerativa progressiva que compromete a visão. A condição também está presente em cinco tios da família e, por volta dos 35 anos, ela recebeu o diagnóstico. O filho mais novo, Tairo, de 26 anos, também convive com a doença. Fisioterapeuta e corredor, ele segue os passos da mãe no esporte e acabou transformando Renata em uma referência para a própria trajetória
A recomendação médica para Renata foi buscar uma atividade esportiva que também ajudasse no processo de adaptação às mudanças provocadas pela perda da visão. Começou pelo karatê, passou pelo judô e encontrou no atletismo uma nova trajetória. A relação com o filho, porém, mostrou a ela que o impacto do esporte ia além de suas próprias conquistas.
“Anos atrás, em uma entrevista, Tairo respondeu que, se eu fazia tudo, ele estava tranquilo porque também ia fazer. Vi que estava sendo espelho para o meu filho no esporte, mostrando uma nova direção, mesmo com uma deficiência que leva à cegueira total. É isso que o esporte traz: a gente se descobre quando se dá oportunidade.”, diz Renata.
Em 2020, a morte do marido e da mãe mudou sua rotina e fez com que ela interrompesse as competições. O filho mais velho também havia se casado, e Renata perdeu parte da rede de apoio que tinha para conciliar os treinamentos. Foi nesse período que conheceu Hudson Oliveira, treinador que lhe apresentou o projeto de inclusão de pessoas com deficiência no ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro.
“Eu não sabia nadar nem surfar, mas abracei a oportunidade. O Wahine hoje é isso para mim: um projeto de inclusão que me mostrou uma nova direção, assim como o esporte já tinha feito antes. Quando encontramos pessoas que acreditam na gente, a gente abraça. E é isso que o esporte traz: a gente se descobre quando se dá oportunidade.”
Renata Bazone busca o tricampeonato na categoria PCD deficientes visuais no Wahine
A presença de mulheres com diferentes deficiências é parte da proposta do Wahine de ampliar o espaço feminino dentro do bodyboarding. A competição PCD é realizada dentro da etapa brasileira, embora não conte pontos para o Mundial, ao lado de outras categorias que ampliam a participação de mulheres de diferentes idades e trajetórias.
Um campeonato que reúne diferentes gerações
Além da categoria profissional, que integra o Circuito Mundial, o Wahine reúne a Pro Junior, criada para incentivar a formação de novas atletas; a Master 40+, com nomes experientes da modalidade; e a categoria Mães e Filhos, que promove o encontro entre diferentes gerações. A Pro Junior feminina foi impulsionada por Neymara Carvalho a partir da percepção de que as meninas não tinham uma categoria de base equivalente à existente no masculino. A iniciativa ajudou a revelar atletas como sua própria filha, Luna Hardman, de 20 anos, que hoje compete no Circuito Mundial ao lado da mãe.
O evento também promove ações sociais, como o Ônibus Rosa, iniciativa realizada em parceria com o Juizado Especial da Mulher para conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Criado em 2021 por Neymara Carvalho, o Wahine tornou-se etapa oficial do Circuito Mundial no ano seguinte e chega à quinta edição em 2026. Entre 10 e 20 de setembro, a Praia do Solemar, em Jacaraípe, na Serra (ES), receberá o ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro, etapa que definirá as campeãs mundiais da temporada.
O ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro 2026 é realizado pelo Comitê Internacional de Bodyboarding (IBC) e pelo Instituto Neymara Carvalho (INC), com patrocínio master do Governo do Estado do Espírito Santo, patrocínio oficial da ArcelorMittal e apresentação do Extrabom. O evento tem apoio da Prefeitura Municipal da Serra e parceria de Mitsubishi e Wellness, com homologação da Confederação Brasileira de Bodyboarding (CBRASB).
SERVIÇO
ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro 2026
Praia do Solemar – Jacaraípe – Serra (ES)
10 a 20 de setembro de 2026
Circuito Mundial Feminino de Bodyboarding 2026
Maldives Pro – 12 a 21 de agosto | Thulusdhoo (Maldivas)
Miss Quebramar Cup – 27 e 28 de agosto | Aveiro (Portugal)
Sintra Bodyboard Festival – 1º a 6 de setembro | Sintra (Portugal)
ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro – 10 a 20 de setembro | Serra (ES)