George Pittar e Lakey Peterson vencem o Western Australia Margaret River Pro 2026
Medina e Luana Silva são vice-campeões; tricampeão assume a liderança do ranking mundial com a camisa amarela
27/Abr/2026 - - Austrália Ocidental - AustráliaMargaret River, Austrália Ocidental (domingo, 26 de abril de 2026) - George Pittar (AUS) e Lakey Peterson (EUA) venceram o Western Australia Margaret River Pro, segunda etapa do Circuito Mundial (CM) de 2026 da WSL, disputada no Main Break de Margaret River diante de uma grande multidão. Para Peterson, foi a segunda vitória neste spot, enquanto Pittar conquistou o seu primeiro título na elite do surfe mundial. Depois de uma semana longa com condições de vento onshore e mar agitado, as finais foram disputadas no último dia da janela de 11 dias, sob céu aberto e com ondas limpas de um metro a um metro e meio no Main Break.
O Western Australia Margaret River Pro é a segunda etapa do GWM Aussie Treble 2026, que premia os melhores desempenhos masculino e feminino nas três grandes etapas australianas da temporada. Com o vice-campeonato, Gabriel Medina (BRA) assumiu a liderança do ranking masculino, enquanto Gabriela Bryan (HAW) lidera o feminino. Para conquistar um GWM Tank 300 ao final da etapa da Gold Coast, os dois precisarão de mais um grande resultado. No feminino, Bryan está empatada em pontos com Peterson. No masculino, menos de 1.000 pontos separam Medina na liderança de Pittar e Miguel Pupo (BRA), segundo e terceiro colocados respectivamente.
Pittar derruba gigantes e conquista o primeiro título no Circuito Mundial
A campanha de George Pittar nesta etapa foi histórica. O australiano de 23 anos, das praias do norte de Sydney, foi eliminando um campeão mundial atrás do outro desde a primeira bateria. Começou derrubando o bicampeão Filipe Toledo (BRA), passou pelo atual campeão Yago Dora (BRA) e pelo campeão de 2019 Italo Ferreira (BRA), e chegou à final para encarar o tricampeão Gabriel Medina (BRA). Criado em grande parte em Vanuatu, Pittar chegou ao CM vindo da obscuridade, se classificando para o Challenger Series na primeira tentativa e logo emendando a vaga no CM. Em 2024, já havia chamado atenção ao chegar às semifinais como wildcard neste mesmo spot. Em 2025, caiu no corte de meio de temporada durante o seu ano de estreia. Agora retornou como candidato de peso, ocupando o segundo lugar no ranking.
"Toquei 'Walking on a Dream' outro dia de manhã. É exatamente assim que foi essa semana, juro," disse Pittar. "Não consigo acreditar. Cada bateria que eu tive aqui, parecia que não tinha jeito. E aí o mar me dava ondas toda vez que eu estava numa bateria. Três seguidas onde eu peguei uma onda no último minuto. É loucura. No ano passado, eu caí aqui. Bem antes da final de hoje, fui sentar exatamente onde eu estava quando caí do Tour, e pensei: cara, como o sentimento é diferente agora. E aí ir para a final contra o [Gabriel] Medina, que é alguém que eu admiro desde pequeno e um competidor absurdo, ele é gigante pra mim. Tê-lo na final e aí pegar umas ondas e ganhar... não tenho muitas palavras. Fazer isso aqui na frente de todo mundo, com o povo de W.A. que sempre foi tão especial comigo desde que eu comecei a vir aqui, é muito especial."
Na final, Pittar adotou uma postura paciente enquanto Medina abria pontuação com duas notas menores. Quando o brasileiro cometeu um erro de prioridade, o australiano foi certeiro: encaixou o maior score individual do evento, um 9.00 (de um possível 10), com uma sequência de quatro manobras no rail executadas com precisão e potência. Medina seguiu atacando, mas não conseguiu superar a pontuação que Pittar havia colocado em cima dele.
"Estou tremendo agora, cara, foi um sonho se realizando lá fora," continuou Pittar. "Não consigo acreditar que estou segurando essa bandeira agora. Precisei ter fé de que eu podia ganhar. Não posso me ver como mais um número no ranking. Quero estar aqui. Quero ser um competidor. Quero estar no topo. Segurar essa bandeira num fim de semana especial para todo mundo, como o dos Anzacs. Chegar aqui e ouvir as trombetas ontem de manhã, me arrepiou todo. Olhei para as semifinais ontem e era tudo brasileiro e eu, e pensei: tenho que dar o meu. É tão difícil ganhar uma dessas competições. Não consigo acreditar que acabei de ganhar."
Peterson conquista o sétimo título no CM com segunda vitória em Margaret River
Lakey Peterson (EUA) conquistou a sétima vitória no Circuito Mundial no Western Australia Margaret River Pro, somando um segundo título neste spot ao que havia conquistado em 2019. Uma das atletas mais longevas do CM, Peterson derrubou três surfistas mais jovens no estilo goofy no caminho até a final: Erin Brooks (CAN), Caroline Marks (EUA) e Sawyer Lindblad (EUA). A vitória de hoje marcou o primeiro bis da carreira da californiana de 31 anos em um mesmo spot, em suas 13 temporadas no Tour. Apesar de ter chegado a sentir medo do Main Break no início da carreira, Peterson transformou este evento em um dos seus melhores resultados recorrentes.
"Não consigo acreditar, de verdade. Aconteceu essa semana, tudo se encaixou. Quando o oceano está trabalhando com você, é uma coisa boa," disse Peterson. "Eu trabalho muito, a gente toda trabalha, mas é bom quando compensa. Estou fazendo isso há muito tempo, e é bacana provar para mim mesma que ainda consigo. Ainda consigo ganhar essas etapas. Tem muito papo sobre as meninas novas, e elas são incríveis e me puxam muito, mas eu ainda estou aqui. Adoro vir aqui. É lindo, é maravilhoso. O povo é incrível. Aparecem em peso toda vez. Ganhar duas vezes aqui é um sonho. Se me tivessem dito isso quando eu tinha dez anos, eu jamais teria acreditado. Para todas as meninas e meninos que têm sonhos: nunca desistam, porque coisas acontecem na vida que você não espera se continuar trabalhando duro."
Na final, Peterson usou a experiência de anos competindo no Main Break para escolher as melhores oportunidades. Depois de eliminar Lindblad, vice-campeã da etapa em 2024, nas semifinais, ela abriu a final pegando uma esquerda. Com uma nota pequena no placar, voltou ao seu forte, construindo a pontuação progressivamente a cada onda. Enquanto isso, Luana Silva (BRA) postava notas similares, mas menores. Perto dos cinco minutos de bateria, Luana encaixou a maior onda da final, marcando 6.83, e assumiu a liderança. Precisando de um 6.01, Peterson respondeu logo em seguida com uma combinação agressiva de duas manobras, arrancando um 6.40 que lhe deu o título.
"Estava difícil lá fora. É bonito e tem boas ondas, mas é difícil achar algo com uma parede decente," continuou Peterson. "Mas é por isso que você faz isso. São esses os momentos. Eu sabia que ela ia pontuar e sabia que eu teria menos de cinco minutos para tentar de novo. Toda glória a Deus, foi incrível, mandou a onda certa na hora certa. Grande abraço para a Luana [Silva]. A gente treina junto o tempo todo e ela chegou a três finais no último ano. Acabei de falar para ela que a vitória dela está chegando. Ela está surfando muito sólido e é uma pessoa muito legal. Estou animada, foi muito, muito bom."
Medina retoma a liderança do ranking com a camisa amarela no retorno ao Tour
O retorno de Gabriel Medina (BRA) ao Circuito Mundial após um ano afastado por lesão está sendo um dos capítulos mais marcantes da temporada. Aos 32 anos, na sua 13ª temporada, Medina chegou à competição com uma declaração de intenções: trocou o número 10 pelo 1 na camisa antes mesmo de a temporada começar. E o número virou realidade. Após a sua 33ª final no CM, e pela primeira vez desde o último título mundial em 2021, Medina é o número 1 do mundo. O tricampeão vai vestir a camisa amarela de líder quando o Bonsoy Gold Coast Pro Presented by GWM começar no dia 1º de maio.
"Só quero agradecer a Deus pela oportunidade; tem sido incrível," disse Medina. "Tenho curtido muito a minha jornada. O ano passado foi duro, ficar longe das competições de surfe, e agora finalmente estou de volta. Me sinto bem para vestir a camisa e ir lá dar o meu melhor. Tem sido muito bom aqui. Fui às vinícolas, surfei por aí, só curtindo, aproveitando. Fiquei um pouco com medo antes de Bells porque não sabia o que eu ia fazer. Estava preocupado, mas agora me sinto bem. Estou feliz com a camisa amarela. Faz muito tempo, sinto falta. Estava com um dos meus melhores amigos, Miguel [Pupo], antes, então vou levar, valeu, Mig. É só uma camisa, sinto que tenho que trabalhar mais. O ano está só começando, então bora."
Luana Silva segue em ascensão com vice-campeonato em Margaret River
Luana Silva (BRA) confirmou o seu melhor início de temporada na carreira ao conquistar o terceiro vice-campeonato em etapas do CM. A surfista de 21 anos vem melhorando o seu ranking a cada ano no Tour, tendo entrado pela primeira vez no Top 10 em 2025. Desde que estreou no Dia de Finais do CM com uma passagem pelas quartas em Sunset Beach, na sua temporada de rookie, Luana vem afinando cada vez mais o seu surfe potente em ondas pesadas. Na temporada 2026, a brasileira já derrotou as três campeãs mundiais australianas que estão no Tour nas duas primeiras etapas, consolidando-se como uma das grandes candidatas ao título mundial.
"Foi um começo de ano incrível," disse Luana. "Não tenho como agradecer ao suficiente ao Leandro [Dora] e ao Penguin [Henrique Pinguim] por estarem do meu lado esse ano. Queria muito ir mais longe, mas se não fosse eu, tinha que ser a Lakey [Peterson]. Ela divide o Leandro comigo. A gente trabalha junto, ela é minha parceira de treino. É um momento de círculo completo. Eu assistia ao filme da Lakey, 'Zero to 100' na Netflix, e ao 'Leave a Message' da Nike. As partes dela e da Carissa [Moore] eram as minhas favoritas no filme. Estou muito feliz por ela. Estou muito empolgada com a minha performance e muito animada com esse próximo ano."
Resultados Finais Masculinos - Western Australia Margaret River Pro
- George Pittar (AUS) 15.17
- Gabriel Medina (BRA) 12.46
Resultados Finais Femininos - Western Australia Margaret River Pro
- Lakey Peterson (EUA) 12.23
- Luana Silva (BRA) 11.83
Semifinais Masculinas
Bateria 1: Gabriel Medina (BRA) 14.77 DEF. Samuel Pupo (BRA) 13.34 Bateria 2: George Pittar (AUS) 13.16 DEF. Italo Ferreira (BRA) 12.16
Semifinais Femininas
Bateria 1: Lakey Peterson (EUA) 12.50 DEF. Sawyer Lindblad (EUA) 9.50 Bateria 2: Luana Silva (BRA) 14.27 DEF. Caitlin Simmers (EUA) 13.66
Próxima etapa: Bonsoy Gold Coast Pro Presented by GWM
A terceira etapa do Circuito Mundial de 2026, o Bonsoy Gold Coast Pro Presented by GWM, acontece na Gold Coast com janela de competição de 1 a 11 de maio. A transmissão será ao vivo em WorldSurfLeague.com e pelo aplicativo gratuito da WSL.
O Western Australia Margaret River Pro foi disputado no Main Break, em Margaret River, de 16 a 26 de abril de 2026.