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Bells Beach define o rumo do Finals Day com Bryan, Spencer, Picklum, Nichols e Miguel Pupo em destaque

Após uma janela curta de competição em Winkipop, o Rip Curl Pro Bells Beach avançou o quadro feminino até as semifinais, confirmou uma finalista australiana e viu Miguel Pupo garantir a primeira vaga na semi masculina antes do dia decisivo

10/Abr/2026 - Equipe Surfguru - Austrália

Uma curta, mas importante, janela de competição colocou o Rip Curl Pro Bells Beach de volta em movimento nesta sexta-feira, em Winkipop, na etapa australiana do Championship Tour. Depois de uma pausa pela manhã, a combinação de maré e swell abriu espaço para a realização das quartas de final femininas completas e também da primeira bateria das quartas de final masculinas. Com isso, o evento ganhou contornos bem definidos para o Finals Day, que já entrou em alerta amarelo para este sábado.

No feminino, Gabriela Bryan e Alyssa Spencer avançaram às primeiras semifinais de suas carreiras em Bells Beach. Gabriela, em sua quinta participação no evento, confirmou a boa fase e mostrou mais uma vez a força do seu surfe em condições menores. Mesmo com poucas oportunidades, a havaiana foi precisa nas escolhas e agressiva nas manobras, transferindo para as ondas menores de Winkipop a potência que vem marcando sua campanha no Tour. O desempenho foi suficiente para superar Luana Silva e carimbar presença na semifinal.

“Foi uma bateria bem lenta, mas eu disse para mim mesma que, se eu não estivesse nas melhores ondas, minha adversária também estaria”, disse Bryan. “Passei bastante tempo aqui antes da competição. Parece muito divertido, e realmente é muito divertido quando você entende a onda, mas isso também pode mexer com a sua cabeça, porque parece muito divertido e a expectativa fica lá em cima. Então, se você abaixa essa expectativa e simplifica tudo, foi isso que eu venho fazendo, e parece que está funcionando. Acho que todo mundo quer tocar aquele sino. Eu quero muito. Esse é, com certeza, o meu maior objetivo. Ainda tenho mais duas baterias para vencer para conseguir isso, e ainda tem muito trabalho pela frente. Então, estou orgulhosa da minha atuação, sem me empolgar demais, mas animada para o Finals Day.”

Alyssa Spencer também manteve o embalo que já vinha construindo e seguiu firme rumo à semifinal. A norte-americana encaixou bem seu ataque de backside e soube aproveitar o pouco que o mar ofereceu para bater Bettylou Sakura Johnson. Foi um resultado importante não só pelo contexto da bateria, mas também por representar a melhor campanha da carreira da surfista em uma etapa do CT.

“Foi muito divertido, eu consegui entrar no ritmo certo do oceano”, disse Spencer. “Eu sabia que pegar a primeira onda também seria muito importante, por causa de como o mar estava lento. Fiquei feliz por conseguir vencer essa disputa e pegar essa primeira onda. Eu adoro surfar em Winkipop. Sinto que, de backside, a onda tem a cavidade perfeita. Quando você pega uma onda assim, é muito divertido. Estou muito feliz por conseguir encaixar boas baterias, surfar com inteligência e realmente mostrar o que sei fazer. Esse é o trabalho mais divertido do mundo, então estou tentando aproveitar e absorver cada momento.”

Do outro lado da chave, a torcida australiana já sabe que terá uma representante na final. Molly Picklum e Isabella Nichols venceram suas respectivas baterias e agora se enfrentam na semifinal. Picklum, atual campeã mundial e vice-campeã do evento em 2023, passou por Lakey Peterson em uma bateria de poucas ondas, mas de bastante leitura. Já Nichols, campeã defensora em Bells Beach, virou para cima de Caitlin Simmers no fim e garantiu um duelo 100% australiano na semi.

“Foi uma loucura. A Caity Simmers tem levado vantagem sobre mim em Winkipop nos últimos anos”, disse Nichols. “Sinto que consegui escapar com muita coisa naquela bateria. Estou muito feliz porque vai ter uma australiana na final. Vai ser uma batalha animal [contra Molly Picklum]. Já disputei uma bateria em Winki com a Pickles, acho que foi há uns três anos, e ela me venceu por pouco. Ela é a atual campeã mundial por um motivo. Está voando. Estou muito animada. Estou num momento mental muito bom. Vou para casa, jantar cedo, dormir cedo e me preparar para, tomara, competir em baterias seguidas amanhã.”

No masculino, o Brasil já garantiu presença entre os quatro melhores com Miguel Pupo. O paulista venceu Barron Mamiya em uma bateria travada, típica de mar inconsistente, mas se manteve ativo o tempo todo até encontrar a nota necessária para confirmar a primeira vaga nas semifinais. Foi mais um passo sólido de Pupo em uma campanha que vem chamando atenção e que agora coloca o brasileiro muito perto de uma decisão importante em Bells Beach.

“Foram alguns anos até eu conseguir vencer uma bateria aqui em Winki, e agora finalmente venci duas, então estou bem feliz”, disse Pupo. “Acho que a primeira etapa do ano é a mais difícil. Todo mundo chega muito pronto, muito preparado. Eu também. Estou feliz por estar na semifinal e com uma prancha boa. Venho me sentindo bem a semana inteira. Vamos nessa. Eu estava tentando me manter ativo porque sabia que a maré estava enchendo e que as ondas iam ficar lentas. Por sorte, peguei a segunda onda abrindo para o lado, que era muito boa, tirei um 7 nela e, depois disso, não teve mais onda. Já estou bem feliz com o resultado.”

A história pode ganhar ainda mais peso para o Brasil caso Samuel Pupo avance do outro lado da chave. O irmão mais novo de Miguel voltou ao CT e aparece na metade inferior do quadro, com chance de encontrar Miguel numa eventual final. Antes disso, porém, precisa passar por Gabriel Medina nas quartas de final.

Com o alerta amarelo já emitido para o Finals Day, a próxima chamada está marcada para 6h45 da manhã no horário local de Bells Beach (17h45 desta sexta no horário de Brasília), com possibilidade de início às 7h05 na Austrália (18h05 no Brasil), começando pelas baterias restantes das quartas de final masculinas. Entre os confrontos ainda em aberto estão Yago Dora contra Leonardo Fioravanti, Gabriel Medina contra Samuel Pupo e, no feminino, as semifinais entre Alyssa Spencer e Gabriela Bryan, além do duelo australiano entre Molly Picklum e Isabella Nichols. O cenário está montado para um dia decisivo em Bells Beach, com disputas pesadas, nomes fortes ainda vivos no evento e o Brasil já muito bem representado.