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Maranhão - Brasil

SUPERPOROROCA SURPREENDE GRANDES CAÇADORES DE ONDAS DE MARÉ

George Noronha

Superlua provoca as maiores ondas já registradas na pororoca do Rio Mearim no Maranhão em uma Superpororoca

A Lua Cheia de abril de 2021 reservou uma grata surpresa a alguns dos principais caçadores de pororocas do Brasil. O fenômeno da Superlua acabou por produzir as maiores e melhores ondas já registradas na Pororoca do Rio Mearim, no município de Arari, no Maranhão. Séries de até 3m de altura em bancadas que chegavam a durar mais de 10 minutos cada, fizeram a alegria de nomes conhecidos como Noélio Sobrinho, Marcelo Bibita, Gilvando Júnior, além da nova geração de surfistas que vem surgindo em Arari.

E já no primeiro dia de ação a pororoca da superlua mostrou todo o seu potencial. Ainda sob a luz da lua, por volta das 4h da madrugada, chegamos ao Curral da Igreja, local de partida para o encontro com as ondas. Dali, após a preparação dos equipamentos, pegamos os jet skis e as bananas boats e seguimos para as bancadas mais distantes para buscar a onda o mais longe possível e assim garantir o surfe em pelo menos cinco bancadas. Nessa hora a experiência faz toda a diferença, pois, no primeiro dia, quando a onda chega, não dá pra saber exatamente onde vai formar a parede, a melhor parte da onda, já que a onda muda continuamente a cada lua. E apesar do primeiro dia costumar ser o menos dos dias, a onda já veio enorme, já com quase 3m, anunciando que nos próximos dias viveríamos uma aventura histórica.

No segundo dia a dinâmica se repete, com a mudança de cerca de mais ou menos 50 minutos, a diferença de tempo de maré de um dia para o outro. Nesse dia a onda veio com tamanho e força nunca antes registrado no Rio Mearim. Na bancada conhecida como Indonésia a onda seguramente atingiu mais de 3 metros de altura, com uma parte formada por uma espuma que mais parecia uma avalanche e outra com uma parede de sonho por minutos a fio. Nesse dia apenas o experiente surfista Noélio Sobrinho conseguiu surfar a parede na parte esquerda da onda, local onde ela atingiu seu maior tamanho. Contudo, as demais bancadas fizeram a alegria dos mais de 30 surfistas que se revezavam na busca de pegar a melhor pororoca já vista no Rio Mearim, como o pioneiro Gilvandro Júnior, que pegou uma das melhores partes da onda nesse dia.

O segundo dia também marcou a realização do Ritual Auera-Auara, celebração simbólica onde os surfistas de pororoca celebram a vida e a natureza, assumindo o compromisso de preservar as águas e as matas e pedindo proteção às forças da natureza. Comandados pelo Pajé Muyu Araripi (Marcelo Bibita), ao pôr do sol os surfistas pintam o rosto, se reúnem ao redor de uma fogueira e bebem da Bebida Sagrada feita com ervas e a água do Rio Mearim entoando o mantra Auera-Auara para atingir uma espécie de transe que, segundo o Pajé, os conectam com a energia da pororoca:

“A pororoca é um fenômeno místico. A prova é que, mesmo já tendo surfado centenas de pororocas, a equipe da ABRASPO-Associação Brasileira de Surfe na Pororoca, não imaginava que essa Superlua poderia provocar ondas tão grandes. É por acreditar nisso que fazemos o Ritual Auera-Auara, para agradecer pelas ondas e pedir proteção”, explicou Bibita.

No terceiro e último dia de surfe auxiliado pelos Jet Skis e Bananas Boats quem se deu bem foi o primeiro recordista de tempo de surfe na pororoca, o cearense Marcelo Bibita, que surfou a imponente parede da Bancada da Indonésia e confirmou que, apesar de já estar surfando sua pororoca de número 83, essa foi a maior já vista no Rio Mearim e uma das maiores que ele já surfou na vida:

“Desde 2012, após o declínio das pororocas do Amapá decorrente da tragédia ambiental que provocou o assoreamento do Rio Araguari e a consequente extinção das ondas conhecidas como o Havaí das Pororocas, que estamos  procurando ondas que substituíssem as que rolavam no Rio Araguari. Encontramos algumas com potencial parecido mas, com uma logística muito complicada. Aqui no Maranhão, a pororoca tem um potencial muito grande, pois tem ondas para todos os níveis de surf. Porém, ainda não havíamos surfado ondas tão grandes como as que rolaram nesta superlua. Foi realmente uma grata surpresa poder relembrar as épicas ondas do Araguari nesse que podemos chamar de Swell da Pororoca do Rio Mearim”, declarou Bibita.

E a onda estava tão boa que, mesmo cinco dias após a Lua Cheia a onda ainda veio com muita força, tamanho e qualidade, coisa muito rara. Mais rara ainda se levarmos em consideração que, segundo os surfistas locais, o primeiro dia de surfe dessa pororoca ocorreu cinco dias antes da Superlua, o que configura uma sequência de 10 dias de surfe de alta qualidade na pororoca mais épica já registrada na história do surfe na pororoca.

E por falar em história, vale ressaltar que o pioneiro Noélio Sobrinho, responsável pela criação e desenvolvimento do Surfe na Pororoca no Brasil, completou nada menos que 200 Operações de Pororoca pelo Brasil e pelo mundo, com passagens pela Mascaret-França, Silver Dragon-China e Bono-Indonésia, além de todas as pororocas conhecidas em terras, ou melhor, rios brasileiros:

"Estou muito feliz em completar 200 pororocas surfadas em ondas tão boas como as que vimos aqui no Mearim, nessa Lua. Várias vezes me lembrei das ondas do Rio Araguari e poder sentir essa sensação novamente foi algo inexplicável! Espero poder repetir a dose na próxima Superlua, que será na Lua Cheia de Maio”, comentou Noélio.

SAIBA MAIS

Swell com dia e hora marcada

A dinâmica do surfe na pororoca é totalmente diferente do que acontece no surfe nos oceanos. Enquanto no mar o vento, tempestades e direção da ondulação configuram os principais fatores que definem, sobretudo, o tamanho e a qualidade das ondas, na pororoca são os eventos astronômicos como eclipses e principalmente, a Lua, os fatores que influenciam o tamanho, a qualidade e o tempo que vai durar cada onda. E justamente por isso os principais caçadores de pororoca do Brasil estavam presentes em Arari para conferir as ondas da Superlua de abril, afinal de contas, o calendário lunar com todas as datas das luas cheias e novas e também superluas da década (e até mais tempo) pode ser facilmente consultado na internet e a maré que essa lua provocaria prometia uma excelente pororoca. Contudo, nem os mais otimistas poderiam imaginar que a Superlua de abril poderia provocar uma superpororoca.

Nos dias que antecedem as luas Cheia ou Nova começa a movimentação no município de Arari, o principal local da atualidade para a prática do surfe na pororoca. Jets Skis, bananas boats, lanchas e pranchas, muitas pranchas, entram no cenário amazônico da Região Meio Norte Nordestina, transformando o cenário ribeirinho local em uma paisagem quase havaiana.

Pororoca Experience

As expectativas pela pororoca do Eclipse da Superlua de maio de 2021 estão altas. E se você sonha em surfar o fenômeno com algumas das pessoas mais experientes no assunto não pode perder o Pororoca Experience, com Marcelo Bibita, uma das últimas chances do ano para pegar uma Superpororoca e vivenciar várias experiências que apenas o surfe na pororoca podem proporcionar. O Projeto tem uma proposta bem interessante e focada em surfistas que não conhecem o fenômeno. Justamente por isso aborda a pororoca numa visão macro, levando ao participante, além do surf na pororoca, o contato intenso e direto com a fauna, a flora local e a contagiante Cultura Auera-Auara.

Para maiores informações sobre o Pororoca Experience da Pororoca do Eclipse da Superlua entrar em contato com Marcelo Bibita: (85) 9.8125.719.

Auera-Auara!

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