Landes - Aquitânia - França por Redação Surfguru

Quiksilver Pro France 2016

O campeão mundial Gabriel Medina chegou a sua quarta final em seis participações no Quiksilver Pro France, mas o havaiano Keanu Asing pegou as melhores ondas que entraram nas difíceis condições do mar em Le Guardian, para impedir o tricampeonato do brasileiro em Hossegor.

Keanu conquistou a primeira vitória da sua carreira no CT derrotando os dois principais concorrentes ao título da temporada, pois já tinha vencido o número 1 do Jeep WSL Leader, John John Florence. Foi logo após Tyler Wright ser confirmada como nova campeã mundial da World Surf League, com a derrota da norte-americana Courtney Conlogue para Carissa Moore nas semifinais. Depois, a havaiana carimbou a faixa da australiana na decisão do Roxy Pro, conquistando sua primeira vitória no Samsung Galaxy WSL Championship Tour 2016.

“Há uma série de razões para eu conseguir o título mundial este ano e estou muito feliz por ter conquistado isso aqui nesta etapa”, disse Tyler Wright. “O ano passado foi muito agitado para mim. Eu perdi um tio e este tinha sido o último evento que ele me viu competir, então eu prometi a ele que eu iria ganhar um título mundial e consegui. É para você tio e para o meu irmão (Owen Wright) também, toda a minha família e meus amigos. Eu os amo muito e é muito especial poder oferecer esse título mundial para todos vocês”.

As finais da etapa francesa só começaram na tarde da quarta-feira, após várias chamadas realizadas desde as 8h00 da manhã. O último dia foi transferido para outra praia, Le Guardian, que apresentava melhores condições do que no palco principal do campeonato em Les Culs Nus. As semifinais femininas foram iniciadas às 15h00 em ondas de 2-4 pés com boa formação, mas grandes intervalos entre as séries fazendo com que a escolha das melhores ganhasse peso decisivo nas baterias. Principalmente nas finais, no fim do dia, quando as condições já estavam bastante deterioradas em Le Guardian.

A última bateria com boas ondas foi quando Medina se classificou para a final do Quiksilver Pro pela quarta vez, fazendo a melhor apresentação do dia contra o norte-americano Kolohe Andino. O brasileiro estava hospedado em frente a Le Guardian e treinava todos os dias nessa onda, então ficou à vontade para usar seu arsenal de manobras modernas e progressivas, completando um aéreo perfeito para liquidar o californiano por 17,83 a 15,03 pontos.

Keanu Asing tinha acabado de barrar o líder do ranking na primeira semifinal por uma pequena diferença de 16,94 a 16,07 pontos com um ataque agressivo de backside nas esquerdas de Le Guardian. Ele arrancou três notas na casa dos 8 pontos dos juízes para ganhar o duelo havaiano com John John Florence. Medina então tinha a chance de diminuir para 700 pontos apenas, a vantagem do havaiano na corrida pelo título mundial da temporada. Só se ele conseguisse sua terceira vitória no Quiksilver Pro, mas Keanu Asing surfou as melhores ondas que entraram na final para festejar seu primeiro título em etapas do CT.

“Estou muito feliz, é como um sonho se tornando realidade”, vibrou Keanu Asing. “O trabalho não está completo ainda, mas espero ter feito algo de bom para o John John (Florence) na corrida pelo título mundial. Eu estou me sentindo na Lua, é surreal essa emoção e estou muito feliz por ter visto minha amiga de infância, Carissa Moore, vencer aqui também. Eu nunca tinha feito uma final nem em etapas do QS (Qualifying Series) e tudo isso aqui está sendo uma loucura pra mim. Ganhar de caras como o John John e o Gabby (Gabriel Medina) é uma coisa inacreditável e estou muito feliz mesmo com essa minha primeira vitória”.

A bateria final foi um desafio, pois o mar tinha mudado bastante, mas Keanu Asing focou nas esquerdas de La Guardian e foi lá que ele conquistou sua primeira vitória em dois anos na divisão de elite da World Surf League. Medina não conseguiu um bom posicionamento no mar, preferindo as direitas no início que fechavam mais rápido, enquanto Keanu aumentava a vantagem a cada esquerda que abria mais parede para ele usar a potência do seu backside.

DECISÃO DO TÍTULO – O havaiano surfou a primeira onda da bateria, largando na frente com nota 5,0. Medina tenta um tubo nas direitas que fecha rápido e eles ficam remando na correnteza, procurando por melhores ondas. Keanu surfa outra esquerda boa para tirar 6,67 e Medina pega outra fraca de 3 pontos apenas. O tempo passa rápido sem entrar nada e o brasileiro fica precisando de 8,50 nos 15 minutos finais. Parecia que só os aéreos poderiam reverter o resultado.

O havaiano segue apostando nas batidas de backside nas esquerdas para ir trocando nota, o 5,0 da primeira onda por 5,50, depois por 5,53, enquanto Medina continua remando de um lado para outro no outside. Ele passa a precisar de 9,03 pontos para vencer e vai para as esquerdas também, mas falha nas primeiras ondas que escolhe. Keanu pega uma pequena, mas vai lincando uma batida atrás da outra para ganhar 7,27 e Medina precisaria de duas ondas boas para vencer. Quando restavam 7 minutos, ele enfim acha uma esquerda para sair da “combination” com nota 5,90, diminuindo a diferença para 8,04 pontos.

Só que o havaiano, conhecendo o potencial do campeão mundial para tirar notas altas, principalmente com as manobras aéreas, vai para a marcação em cima de Medina, remando lado a lado com o brasileiro e com a prioridade de escolha da próxima onda. O tempo vai passando, não entra mais nada de onda boa e Medina ainda comete uma interferência de remada em Keanu Asing no final. Na seguinte, o brasileiro surfa sua melhor onda, acerta os aéreos, ganha nota 7,0 e foi a única que somou com a penalidade sobre o havaiano, que festejou sua primeira vitória da carreira, saltando do 33.o para o 21.o lugar no ranking.

“Eu amo a França, é sempre um lugar muito bom para mim”, disse Gabriel Medina. “Fico feliz pelo segundo lugar, certamente a vitória seria melhor, mas o segundo é bom também. Foi um bom resultado para ir confiante para Portugal (próxima etapa) e parabéns para o Keanu (Asing) e para a Carissa (Moore). Eu sei como é a sensação de ganhar o primeiro evento, então acho que ele está muito feliz agora e ambos merecem isso. Fico feliz pela Tyler (Wright) também e sei que seu irmão (Owen Wright) está muito orgulhoso do seu título. Estou contente também porque agora estou mais perto do John John (Florence)”.

NOVE CANDIDATOS – A diferença entre eles que era de mais de 4.000 pontos, baixou agora para 2.700 e os dois são os únicos que vão brigar pela liderança do ranking na próxima etapa, o Moche Rip Curl Pro, nos dias 18 a 29 de outubro em Peniche, Portugal. Com o resultado do Quiksilver Pro France, nove surfistas têm chances matemáticas de título mundial nas duas últimas etapas da temporada. Campeão na decisão brasileira com Italo Ferreira em Portugal no ano passado, Filipe Toledo está entre os candidatos ao título pelo segundo ano consecutivo, assim como o atual campeão, Adriano de Souza.

Só que as chances dos dois são bem difíceis, praticamente necessitando vencer o Moche Rip Curl Pro e o Billabong Pipe Masters, além de depender dos resultados dos que estão à sua frente no ranking. Se ganhar duas baterias em Portugal, John John Florence tira quatro concorrentes da briga do título numa tacada só, Mineirinho, Filipe e ainda Kelly Slater e Julian Wilson. Se passar mais uma, chega nas quartas de final e derruba mais um, Kolohe Andino.

A batalha pelo troféu de campeão da World Surf League está mais concentrada nos quatro primeiros do ranking. A disputa principal é entre John John e Medina, que pode assumir a ponta com uma vitória em Portugal, se a decisão da etapa não for com o havaiano. John John garante a liderança chegando na final e nas semifinais já obriga o australiano Matt Wilkinson e o sul-africano Jordy Smith a vencerem as etapas de Portugal e do Havaí.

CAMPEÃ MUNDIAL – Na categoria feminina, a australiana Tyler Wright já festejou o seu primeiro caneco de campeã mundial antes da última etapa, o Maui Women´s Pro no Havaí. Ela ganhou a reedição da final do ano passado no Roxy Pro France com a havaiana Tatiana Weston-Webb na bateria que abriu a quarta-feira em Le Guardian. E o título foi confirmado na segunda semifinal, quando Carissa Moore derrotou a sua única oponente, Courtney Conlogue. A norte-americana ainda tentou a vitória nas duas últimas ondas que surfou, mas o máximo que conseguiu chegar foi a 15,67 pontos, não ultrapassando os 15,90 da havaiana.

“Eu sabia que um dia eu ia ser campeã mundial e eu estava pronta para conseguir isso esse ano”, disse Tyler Wright. “Eu quero dar um enorme parabéns para a Courtney (Conlogue). Eu já estive na posição dela duas vezes e sei como é chegar tão perto. Eu a amo, amo o jeito que ela compete e é sempre uma adversária muito forte. Um grande obrigado a todas campeãs mundiais, é uma sensação incrível. Obrigado a Carissa (Moore), que é uma grande inspiração e fazer a final com ela foi realmente especial. Obrigado França, obrigado a todos”.

A temporada 2016 de Tyler Wright foi impressionante, computando incríveis 84,6% dos 80.000 pontos possíveis no ranking 2016 da World Surf League. A australiana decidiu o título de seis das nove etapas completadas na França. Em Hossegor, ela foi para a final em quatro das cinco vezes que competiu no Roxy Pro, ganhando as duas últimas edições. Já começou bem o ano em casa, sendo campeã do primeiro Roxy Pro na Gold Coast e também em Margaret River. A terceira vitória veio no Oi Rio Pro do Brasil no Rio de Janeiro. E nesta reta final, foi campeã do Trestles Women´s Pro nos Estados Unidos, vice no Cascais Pro em Portugal e agora na França.

Depois de festejar seu primeiro título, atender todas as entrevistas, Tyler Wright entrou mais relaxada na bateria final e a havaiana buscou a sua primeira vitória no ano do início ao fim. E achou três ondas muito boas para somar notas 7,33 e 9,03 no placar encerrado em 16,36 a 9,83 pontos. Carissa Moore só tinha feito uma final na temporada, isso depois de parar nas semifinais nas quatro primeiras etapas, mas perdeu a decisão do Fiji Women´s Pro para a francesa Johanne Defay. Ela agora vai tentar o tricampeonato consecutivo no Maui Women´s Pro, que fecha a temporada feminina nos dias 22 de novembro a 6 de dezembro no Havaí.

“Eu estou muito feliz, foi um dia incrível e estou muito contente pela Tyler (Wright) e a Courtney (Conlogue), que fizeram uma corrida do título emocionante até aqui na França e foi muito bom fazer a final com a nova campeã mundial”, disse Carissa Moore. “E estou na Lua agora, só em ver o Keanu (Asing) na final (sem ainda saber da vitória dele que aconteceu depois), ele é uma grande pessoa, surfa com o coração e somos bons amigos desde crianças. Estou feliz pela minha vitória aqui e quero agradecer a todos que me ajudaram a estar onde estou hoje”.

O Quiksilver Pro France e o Roxy Pro France foram transmitidos ao vivo de Hossegor pelo www.worldsurfleague.com com divulgação também dos parceiros de mídia da World Surf League: ESPN, Globosat e Sportv no Brasil, Fox Sports da Austrália, CBS Sports dos Estados Unidos, Edgesport, Sky NZ, Canal + Deportes, Channel Nine, MCS, Starhub e Oceanic Time Warner Cable 250 & 1250 no Havaí.

Para mais informações, visite o WorldSurfLeague.com

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Por João Carvalho – WSL South America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

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FINAL DO QUIKSILVER PRO FRANCE:

Campeão: Keanu Asing (HAV) por 13,94 pontos (notas 7,27+6,67) – US$ 100.000 e 10.000 pontos

Vice-campeão: Gabriel Medina (BRA) com 7,00 pontos (só a maior nota) – US$ 50.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 6.500 pontos e US$ 25.000 de prêmio:

1.a: Keanu Asing (HAV) 16.94 x 16.07 John John Florence (HAV)

2.a: Gabriel Medina (BRA) 17.83 x 15.03 Kolohe Andino (EUA)

FINAL DO ROXY PRO FRANCE:

Campeã: Carissa Moore (HAV) por 16,36 pontos (notas 9,03+7,33) – US$ 60.000 e 10.000 pontos

Vice-campeã: Tyler Wright (AUS) com 9,83 pontos (5,00+4,83) – US$ 30.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 6.500 pontos e US$ 18.250 de prêmio:

1.a: Tyler Wright (AUS) 16.40 x 14.16 Tatiana Weston-Webb (HAV)

2.a: Carissa Moore (HAV) 15.90 x 15.67 Courtney Conlogue (EUA)

TOP-22 DO JEEP WSL RANKING – após a nona das onze etapas de 2016:

1.o: John John Florence (HAV) – 48.150 pontos

2.o: Gabriel Medina (BRA) – 45.450

3.o: Matt Wilkinson (AUS) – 38.250

4.o: Jordy Smith (AFR) – 35.700

5.o: Kolohe Andino (EUA) – 32.150

6.o: Julian Wilson (AUS) – 30.900

7.o: Filipe Toledo (BRA) – 30.650

8.o: Kelly Slater (EUA) – 30.150

9.o: Adrian Buchan (AUS) – 29.700

10: Adriano de Souza (BRA) – 29.400

11: Joel Parkinson (AUS) – 28.700

12: Italo Ferreira (BRA) – 25.750

13: Sebastian Zietz (HAV) – 26.000

14: Michel Bourez (TAH) – 25.700

14: Caio Ibelli (BRA) – 25.700

16: Mick Fanning (AUS) – 25.200

17: Josh Kerr (AUS) – 24.700

18: Stu Kennedy (AUS) – 21.200

19: Wiggolly Dantas (BRA) – 21.150

20: Nat Young (EUA) – 18.900

21: Keanu Asing (HAV) – 18.750

22: Kanoa Igarashi (EUA) – 18.000

——–outros brasileiros no ranking:

23: Miguel Pupo (BRA) – 16.700 pontos

25: Jadson André (BRA) – 16.250

29: Alejo Muniz (SC) – 14.250

33: Alex Ribeiro (SP) – 10.450

39: Bruno Santos (RJ) – 5.200

44: Deivid Silva (SP) – 1.750

44: Marco Fernandez (BA) – 1.750

44: Lucas Silveira (RJ) – 1.750

48: Bino Lopes (BA) – 500

TOP-10 DO JEEP WSL LEADERBOARD – após a nona das dez etapas de 2016:

1.a: Tyler Wright (AUS) – 67.700 pontos

2.a: Courtney Conlogue (EUA) – 59.400

3.a: Carissa Moore (HAV) – 54.400

4.a: Tatiana Weston-Webb (HAV) – 48.400

5.a: Johanne Defay (FRA) – 43.650

6.a: Stephanie Gilmore (AUS) – 42.500

7.a: Malia Manuel (HAV) – 38.700

8.a: Sally Fitzgibbons (AUS) – 38.050

9.a: Sage Erickson (EUA) – 37.200

10.a: Laura Enever (AUS) – 32.450

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