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Linhares - Espírito Santo - Brasil

O surf e a regeneração na vila mágica de Regência

Luiz Hadad - Equipe Surfguru

Nós do Surfguru apoiamos e saudamos a Associação de Surf de Regência, o movimento Regenera Rio Doce e as demais organizações envolvidas no festival online “Magia da Foz”.

Transmutar a energia da destruição em regeneração é uma tarefa que demanda fé, garra e perseverança. Por obra do destino, o lema da bandeira do Espírito Santo, estado onde está situada a foz do Rio Doce, é “Trabalha e Confia”. Gostaríamos de te convidar a observar e aprender com as experiências dessas comunidades. São lições para todos nós, surfistas e amantes das águas do planeta.

Os tempos atuais nos pedem mudança. O Surfguru demos um passo nessa direção, e em 2020 estamos em busca de nos tornar um negócio de impacto. Nosso propósito é de conectar as pessoas com o mar, cuidar do nosso planeta e viver o espírito aloha.

Essa transição faz parte de um processo, que se tornou ainda mais pulsante quando reunimos nossa equipe no projeto #surflimpo, para buscar contribuir com a limpeza do derramamento de óleo no litoral do Nordeste, no ano passado.

Mas... o que isso tem a ver com Regência?

A comunidade de Regência e demais ao entorno do Rio Doce foram vítimas do maior crime ambiental do Brasil. E a justiça atualmente alega que os surfistas não foram atingidos. Como assim, não fomos atingidos? Arrisco dizer que o dano causado é extensível a todo surfista no Brasil, que não vai ter o prazer de conhecer a “tubolândia” como era antes da lama.

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Surfista Rodrigo Cardoso, na boca do rio (foto: @alifrangel)

Destruíram uma onda mágica, da Boca do Rio de Regência, pois os dejetos de lama fizeram com que o fundo mudasse completamente, e sabe-se lá quando as “primas de Bali” voltarão a quebrar. 

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Surfista Rodrigo Cardoso, na boca do rio (foto: Waterphotographers)

Esse é um local histórico. Foi onde o herói local Caboclo Bernardo salvou 128 vidas em um naufrágio da Coroa Portuguesa. Foi condecorado por Princesa Isabel e tudo mais. Essa onda continua adormecida. Quem quiser conhecer mais, pode relembrar com sessions históricas no filme “A Onda da Vida”.

Além disso,os points, ondas rápidas e tubulares, que lembram Supertubos, Hossegor e Namíbia, tinham uma consistência fantástica até 2015. Depois do acidente, passaram 4 anos quebrando de maneira muito tímida.

As ondas não quebravam, mas já os empreendimentos da vila… 

Com a proibição da pesca e a redução do surf, o turismo de Regência foi asfixiado pela lama da Samarco e da Vale nos últimos anos. Afinal, quem iria se arriscar a surfar uma onda que não quebrava mais “daquele jeito”, com laudos sobre a qualidade da água que não levam em conta o nível de metais pesados? Somente surfistas locais e os mais fissurados. Afinal, o risco não valia a recompensa.

Até que em 2019 o surfista local Francelino Neto dropou a maior onda registrada em Regência. Isso ajudou a colocar Regência de volta no mapa.

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Francelino Neto dropando a maior onda já registrada em Regência. (foto: @strayafilmes)

Mas foi em 2020, 5 anos depois do crime, que Regência voltou a reinar. Com as intensas ondulações de outono, as bancadas se encaixaram. A tubolândia quebrou incessantemente nos meses de agosto a outubro, atraindo surfistas do Brasil inteiro para conhecer a “terra dos tubos”, a Vila Mágica de Regência.

Em dias como esses, ninguém quer saber de laudo. É entrar, botar pra baixo, pedalar e torcer pra encontrar a saída :)

A equipe do Surfguru esteve lá e desfrutou desse paraíso. Também buscamos deixar uma pegada positiva. Em colaboração com a Associação de Surf de Regência, Stone House, Ginga Mídia, Yellowfin, pousada Aranã, projeto Pegada e Route Brasil, fizemos nossa primeira ação de limpeza de praias, no point 1. Você pode conferir como foi no vídeo abaixo:

A data desse post marca a data de 5 anos que a lama chegou na foz do Rio Doce. Essa foi uma breve retrospectiva para tratar do tema principal: não podemos esquecer do maior crime ambiental da história do Brasil.

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Manifestação que ocoreu no dia 05/11/2020, 5 anos após o rompimento da barragem em Mariana (foto: @clickzera)

Entendemos que o espirito aloha fala de interdependência, de que somos um só, e que devemos cuidar dos danos causados a nossos irmão ou a nossa mãe Gaia. 

No caso do Rio Doce, também conhecido como "Watu", que significa "Avô" para povos ancestrais que ali habitam, entende-se que ele está morto, ou quase morto. Por esta mensagem nos colocamos à disposição e à serviço das comunidades locais para trabalhar em prol da regeneração e cura do Rio Doce, que nos proporcionou e proporciona momentos tão mágicos e especiais.

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