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Vitória - Espírito Santo - Brasil

Avalanche quebra com altas ondas no litoral do Espírito Santo

Equipe Surfguru

A ondulação que atingiu o litoral brasileiro no final do outono foi a maior do ano até o momento.

Além de marcar a chegada do inverno, esse swell esteve em conjunção com um eclipse Solar no dia 21 de junho, que intensificou energias e presenteou a todos com altas ondas.

A comunidade do surf de norte ao sul do Brasil estava na expectativa, o #surfguruavisou e vários estados tiveram mares clássicos, com destaque para Florianópolis, Maresias, Rio, Saquarema e Noronha, onde a Cacimba quebrou de gala com um raro swell refratário.

O Espírito Santo foi abençoado com altas ondas de norte ao sul. Nossos gráficos mostravam que no dia 18 de junho, quinta-feira, entraria uma ondulação de leste, além de um swell perfeito de sul-sudeste subindo durante o dia.

Essa é uma previsão de ressaca e ondas grandes, apropriado para o Avalanche, com período alto e a direção certa. Porém, haviam fenômenos difíceis de prever, como a ondulação cruzada e a possibilidade de vento leste, devido a chuva no oceano.

O Avalanche fica situado próximo a ilha dos pacotes, na Praia da Costa. Essa praia recebe muito bem a ondulação de leste como a de sudeste. Esses fatores deixaram as condições perfeitas e rolaram altas ondas com condições clássicas nos dias 18 e 19 de junho, quinta e sexta da semana passada.

 

 

O destaque desse swell foram bodyboarders locais da NXF Bodyboarding (@nxfbodyboard), que foram os desbravadores do pico onde surfaram por muito tempo sozinhos, na remada e sem o auxílio de jet. 

A equipe formada por André Majevski, Breno Kuster, Carlos Bellumat, Danilo Scarpat e Paulo Roberto Sol deu um show de espírito aloha, com muita cooperação e celebração entre bodyboarders, surfistas, pilotos, fotógrafos e espectadores.

Na quinta-feira os bodyboarders locais Paulo Sol (@paulosol_edf) e Breno Kuster (@brenokuster) pegaram altos tubos, além dos surfistas Lucas Medeiros (@lucasmedeiros) e Gabriel Sampaio (@gabrielsamps), que pegou uma bomba azul com muito estilo.

Na sexta a previsão era ainda melhor, mais de frente e vento mais definido de oeste noroeste, o swell ficou mais encaixado, deixando o mar com tubos grandes e perfeitos! 

Nesse dia também foi um verdadeiro espetáculo da natureza, com destaque para a bomba surfada pelo bodyboarder Bernardo Nassar (@bernardonassar), puxado por Ian Vaz. 

Bernardo botou pra baixo com atitude e foi presenteado com a maior onda surfada no Brasil em 2020 até o momento, com aproximadamente 7 metros de altura.

Na sexta feira também merecem destaque as performances dos capixabas Breno Kuster, Paulo Roberto, Lucas Medeiros e Rodrigo Cardoso, além dos cariocas Caio Vaz, Ziul Andueza e Felipe Munga.

Para passar um pouco da energia do que foi essa expedição, pedimos para pessoas que estiveram nos dois dias de swell alguns depoimentos, confiram:

BERNARDO NASSAR (@bernardonassar)

Surfar essa onda no Avalanche é um sonho de muitos anos de dedicação e acreditando no potencial dela. Quando começamos a explorar os slabs do ES o avalanche era dito somente com uma “espuma gigante”, por isso até o nome. Já fomos algumas vezes até o pico, somente de barco sem conseguir surfar, devido a falta de estrutura, e por ser uma onda muito grande, muito perigosa e longe da costa. Quantas vezes já ouvimos que “O ES não tem onda!”, “Aquela onda não existe, é só um farelo”. Acho que a história do Avalanche lembra até a história de Mavericks. O importante é que nós do NXF Bodyboard, nunca deixamos de acreditar e buscar todos os recursos necessários para usufruir dessa onda. Somos muito gratos também ao nosso amigo Lucas Medeiros que em determinado momento, acreditou conosco e movimentou todo seu network para ajudar a tornar realidade surfar a onda do Avalanche.

GABRIEL SAMPAIO (@gabrielsamps)

Ano passado fomos apresentados pela galera local (@nxfbodyboard) a algumas bancadas ficamos impressionados com o potencial do ES. Com isso, eu e o Ziul Andueza temos monitorado as previsões pelo Surfguru, e, com a chegada desse swell, decidimos apostar nas bancadas capixabas que, como sempre não nos decepcionou, proporcionando uma condição épica de ondas muito pesadas e textura glassy.

ANA CATARINA (@anacatarinaphoto)

No ano passado eu já tinha ido até a Avalanche, mas foi uma tentativa super frustrada porque acabou não rendendo imagem. Por isso, dessa vez eu nem criei muita expectativa.

Fui com o Ian e Lucas, de carro. O lucas tinha marcado exatamente nessa data para renovar a carteira de motorista. (até brincamos na volta chamando o detran de santo detran haha).

Foi realmente muito impressionante ver o avalanche quebrar. Eu já tava acostumada a fazer essa missão, de ir no jet, navegar por 2/3 km da costa pra chegar até as lajes. mas quando eu vi a espuma e a onda se formando mesmo, foi bem impressionante pra mim.

A grande dificuldade de fotografar a avalanche é que ela é uma onda muito negativa, então sempre tem água na minha frente e nem sempre eu consigo ver o surfista - mesmo ficando no jet e em pé! Então é bem desafiador pra quem tá fazendo imagem, corre o risco do surfista dar o máximo dele, conseguir completar a onda milimetricamente e não ter imagem. Mas foram dois dias MUITO produtivos e bons de onda, todo mundo que tava com a gente ficou feliz, principalmente pelas condições que estavam encaixando bem certinho, sem vento. 

E o legal é que eu tava com o Luiz Hadad no jet e ele ficava: “Agora 9:30 vai começar!” e começava mesmo! Foi legal escutar quem entende sobre as condições e realmente esperar o que estava previsto para acontecer.

Espero que o avalanche continue rendendo bons frutos. Conseguimos sair em mídia nacional e internacional (surfline, jornal espírito santo, globo.com...) e fomos recebidos de braços abertos pelo pico.

 

LUIZ HADAD (@luizhadad)

Pra mim foi uma experiência única e incrível. O Avalanche é literalmente na frente da minha casa onde moro há mais de 20 anos. Eu cresci ouvindo a galera falar daquela onda, mas sempre foi algo inalcançável pra mim. Quando eu vi a galera surfando de tow in lá a primeira vez, em 2017, eu fiquei maluco, e determinei que iria surfar essa onda. Virou um objetivo pra mim! 

Falei pro meu pai que queria surfar onda grande e compramos um jet, mas não sei se ele botou fé que eu ia realmente correr atrás disso. Dois amigos do meu pai, Hugo Caiado e Fabio Borgo, que são pioneiros do tow in no Espírito Santo, começaram a me ensinar em março. 

Sou muito grato aos dois e me inspiro muito neles: são brothers de surf da geração do meu pai, que tem 62 anos, e estão surfando altas ondas com a galera até hoje!  Inclusive o apelido do Fabio é Gerry Lopez e o do Hugo Derek Ho, em homenagem aos lendários surfistas havaianos - eles merecem!!

Outra coisa que me ajudou a surfar no Avalanche, foi o fato de eu já ter uma base no wake. Já é difícil dropar uma onda daquelas, se você tá desconfortável no drop, não tem uma boa pegada na manete, não se entende com o posicionamento do cabo, fica ainda mais complicado e pode drenar o seu emocional.

Na quinta a previsão tava difícil de saber, porque o vento tava dando meio fraco, podendo entrar um vento meio leste, meio sul.. Deu uma chuva, eu olhei pro céu, vi umas nuvens, mas vi um clarão. E aí eu falei: "brother, tenho certeza que vai ter um moment maneiro, sem vento" e foi exatamente o que rolou. 

A princípio fui "só" pilotar o jet e na esperança de cobrir o swell do surfguru, de repente fazer uns stories… Tentei não colocar pressão pra surfar, e mentalizei que só iria se me sentisse muito tranquilo.

Fiquei umas 4 horas vendo as bombas e pilotando no canal, fiquei bem adrenalizado.  Tava com a Ana na garupa e ficava tentando colocar ela no pico pra pegar as fotos de frente, porque lá é bem difícil de tirar foto. A onda ja é negativa, e ainda tem outra que sobe, a água mexe e fica na frente, é bem desafiador. A galera q tá no barco fica num ângulo maneiro, mas um pouco distante

No final da session na quinta, um brother meu que tava fazendo aniversário, Felipe Lacerda, dropou umas boas e me deixou instigado pra querer surfar. Rolou um momento que ficou só o Lucas (Medeiros) e o Ian (Vaz), foi quando criei coragem. 

Fui na minha primeira onda, que parecia uma onda de meio metro, um metro, cara, ela chegou na bancada, atrás assim, tava um lip bizarro! Era uma onda GRANDE de verdade. Consegui dropar, fiz a linha dela e saí no canal amarradão, comemorando, mas tinha ido bem no rabo da onda, não tinha sido 100% do jeito que eu queria. A onda realmente era MUITO grande, eu olhei pra trás e vi ela bem maior do que eu. A maré estava mais cheia, não tava aquele drop negativo, sabe?! Mas ainda assim a onda é muito punk com muita energia… Isso me deu tranquilidade pra ir em outras duas ondas, e me senti mais conectado com a onda. 

O mar quinta tava com o lip mais grosso e com bem mais energia do que na sexta.

Fiquei adrenalizado o dia inteiro na quinta por ter conseguido presenciar aquele espetáculo e pegar aquelas ondas, por mais que não tenha rolado nenhuma imagem tão boa. Eu fiquei amarradão por ter conseguido surfar lá e agradecendo muito pela energia que rolou naquela session. Ficou marcado na minha memória o espírito aloha da galera, principalmente da NXF Bodyboard - essa equipe representa! 

Na sexta eu já fui mentalizando que ia vir uma boa pra mim e eu ia surfar bem. Esperei a galera surfar e fui um pouco mais tarde, umas 9:30, 10h. Essa hora, a maré encheu e perdeu pressão, a onda já não tava tão forte assim. O mar estava diminuindo também. O auge do swell era na quinta a tarde e sexta cedo, como o Surfguru tinha previsto. O Fábio (Borgo) tentou me colocar em umas 5 ondas, mas nenhuma rolou… Falei pra ele pra ter paciência, que ia vir A BOA, que era o mar de uma onda só, mas que essa uma onda ia ser muito boa.

Continuamos esperando e quando veio a boa e ele foi me puxar, o jet engasgou e não conseguimos entrar na onda.. O jet começou a perder potência. Resolvemos voltar pra buscar a Ana Catarina e o Fabio pediu pro Lucas me puxar. Tinha uma galera no barco e quando falamos da sujeira, o Cego (Gabriel Sampaio), falou que tinha uma parada pra limpar. Virei o jet e o Fábio mergulhou, deu tipo 5 segundos e ele sobe da água falando: Vocês não acreditam! Era uma bota preta que nós vimos no meio do mar que estava lá, preso. Tiramos, deixamos no barco e voltamos correndo, porque eu estava muito estigado pra surfar aquela onda.

Chegamos lá e veio a boa, eu dropei, olhei o triângulo, o bowl, "nooooossa senhora!", não consigo nem descrever! E aí, tenho que agradecer o Lucas Medeiros, que me deu a dica: "na hora que ela virar, bota o bico na direção da areia e firma a base." Quando eu saí no canal, foi aquela explosão, adrenalina, né. Incrível, uma parada única. Foi resultado de 4 anos de obstinação, de querer surfar aquela onda, de querer estar ali, sonhando com aquele momento. 

Meu surf não é um surf de manobra, aéreo, competição... eu gosto de surfar tubo e onda grande.Pra mim o surf é uma forma de me conectar com o mar,  e o surf funciona meio que como uma terapia, uma forma que encontrei de me conectar comigo mesmo, buscar minha melhor versão e viver o presente.

 

É irado estar falando sobre isso, é o depoimento da experiência mais marcante que eu já tive no surf. E posso falar que ressignificou tudo, porque agora eu vou querer de novo e vou atrás disso. Todo swell que tiver no Avalanche quero estar lá me conectando mais ainda com essa onda, com essa bancada.

E o mais mágico é que do outside da avalanche, eu conseguia olhar pra onde eu cresci, o Convento da Penha, a Praia da Costa. Passa muita coisa na minha cabeça, é uma conexão muito especial.

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