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Santos - São Paulo - Brasil por Fábio Maradei

Marcos Bukão comanda corrida olímpica

O surf está a menos de um ano de sua estreia como esporte olímpico e um dos responsáveis na organização da estreia nos Jogos de Tóquio 2020 é um santista, Marcos Bukão.

Ele é o diretor de provas da International Surfing Association (ISA), que está coordenando todo o processo de disputas pelas primeiras medalhas olímpicas da história da modalidade.

Desde 1996, ele está à frente das competições em nível mundial e nos últimos anos vem fazendo um trabalho extra na elaboração e programação do surf olímpico. Em paralelo, nunca deixou de lado o Hang Loose Surf Attack, o circuito paulista para os surfistas com até 18 anos de idade, que está em sua 31ª edição e se tornou o principal campeonato de base do País, responsável pela revelação e formação de grandes nomes brasileiros, como os campeões mundiais da World Surf League (WSL), Adriano de Souza e Gabriel Medina e o atual líder do ranking, Filipe Toledo, todos colecionadores de títulos como amadores.

Neste mês, Bukão terá, novamente, jornada dupla. Primeiro no ISA Games, no Japão, que promete ser o maior evento de todos os tempos, com as principais estrelas que figurarão na Olimpíada de Tóquio, e um final de semana depois, de 20 a 22 de setembro, já estará de volta ao Brasil, para coordenar a 3ª etapa do Hang Loose Surf Attack, em Guarujá.

Em julho, Bukão comandou o evento teste do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Tsurigasaki Beach, que receberá as disputas pelas inéditas medalhas no surf. O encontro fez parte do programa dos Jogos Olímpicos e foi aplicado a vários esportes, para checar todas as variáveis e verificar o bom funcionamento de cada detalhe.

Formado em engenharia e sempre buscando evolução, Bukão conta com satisfação as novidades que os Jogos Olímpicos trarão para o surf e que, podem ser aplicadas e adotadas para a modalidade, como o novo sistema de prioridade, para até cinco atletas, e os horários mais rigorosos.

“O principal teste foi sobre como funcionaria a integração de todo o sistema de computação, fluxo de informações, cronogramas, resultados. Numa olimpíada isto não é algo onde cada esporte tem seu próprio sistema, mas sim todos esportes têm seus sistemas integrados a uma única administração”, explica. “É muitíssimo mais complexo que um evento de surf independente como estamos acostumados até agora”, acrescenta.

Na estreia do surf nos Jogos Olímpicos, serão 20 atletas, tanto no masculino quanto no feminino. Eles serão divididos em cinco baterias de quatro competidores, com o primeiro e segundo colocados avançando direto para o Round 3, os terceiros e quarto lugares tendo uma segunda chance no Round 2.

Nesta fase de repescagem, serão duas baterias de cinco atletas, com os três primeiros avançando para o Round 3. “Nesse segundo round foi um novo desafio implementar o sistema de prioridade em baterias de cinco. Isso aconteceu no teste pela primeira vez na história do surf e funcionou perfeitamente bem”, revela orgulhoso Bukão, explicando que a partir do Round 3 os surfistas serão distribuídos em baterias homem x homem, seguindo assim até o final.

“Um outro desafio que se tornou uma ideia inovadora foi a obrigatoriedade de o cronograma de baterias ter seu horário de início extremamente rígido por motivos de transmissão”, anuncia. “Uma determinada bateria programada para às 12h45 por exemplo, não pode começar 12h50. E todos sabemos que no surf sempre existe um pequeno intervalo entre as baterias para acertos na rotação de juízes, últimas digitações, e isso vai se acumulando e no final do dia há um atraso em relação ao cronograma original”, fala.

Nos Jogos Olímpicos haverá um gap (intervalo) entre as baterias que pode variar, mas em princípio de seis minutos. “Quando uma bateria acaba, a seguinte sai da área vip, vai para um local de apresentação para o público na beira da praia, são feitos os anúncios de cada surfista e, aí sim, entram no mar com a bateria começando exatamente no horário”, destaca.

“No dia mais longo do teste, tivemos o cronograma das 7h00 as 16h20 e a buzina da última bateria soou exatamente as 16h20”, ressalta. “Eu, particularmente, acredito que em campeonatos onde o cronograma permite esse procedimento poderia fazer sucesso por aqui também. Para mídia e para a exposição do atleta é excelente”, elogia. “

Segundo Bukão, o feedback do pessoal do Comitê Olímpico presente e da organização dos Jogos 2020 foi muito positivo e todos estão confiantes que o surf será um grande sucesso. “Para a próxima Olimpíada, na França, o surf estará presente e certamente irá repetir a dose em Los Angeles 2028”, acredita.

“Para mim, é extremamente gratificante ver isso tudo acontecendo e ter tido o privilégio de ter participado e acompanhado esse longo processo, desde que o presidente da ISA, Fernando Aguerre, desafiando o ceticismo de muitos, abraçou o sonho de Duke Kahanamoku e iniciou essa batalha para tornar o surf um esporte olímpico”, comenta o diretor da ISA.

Ele também demonstra otimismo sobre a participação brasileira em 2020 e cita a importância de uma medalha olímpica, colocando o surf em outro patamar esportivo. “Para o Brasil e para os surfistas brasileiros, a participação na Olimpíada é algo que ainda nem se tem a dimensão real. Um ouro olímpico coloca o atleta na história dos maiores esportistas do Mundo”, relata. “Numa Olimpíada não há como falar em favoritos, dado o nível dos participantes, mas o que se fala é em chance real de medalhas. E podemos afirmar, com absoluta certeza, que o surf do Brasil vai para Tóquio 2020 com reais chances de medalhas”, aposta.

E organizador do Circuito Paulista de Base desde a sua criação, ainda em 1988, Bukão pode ligar, com propriedade, os atletas revelados no evento com as possibilidades de medalhas olímpicas. “Vale lembrar que podemos e devemos ter representantes do Brasil no masculino brigando por medalhas olímpicas, que iniciaram suas carreiras no Hang Loose Surf Attack. E, certamente, já estamos preparando futuros talentos para as próximas olimpíadas”, completa Bukão, que também participou de outro momento histórico do surf, sendo o diretor da modalidade nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru.

Aos 63 anos de idade, Marcos Bukão tem uma longa história na formatação dos campeonatos de surf no Brasil. Antes mesmo do Paulista de Base, foi um dos fundadores da Associação de Surf da Baixada Santista (ASBS), responsável pelo Paulista Amador, por onde grandes nomes do passado se destacaram.

Desde aquela época, ainda no início dos anos 80, até hoje, ele mantém a parceria com Silvio da Silva, o Silvério, hoje presidente da Federação Paulista de Surf e também no comando do Hang Loose Surf Attack. A 3ª etapa do Paulista está confirmada para a Praia do Tombo, com a participação de mais de 230 atletas, divididos em seis categorias – júnior (no máximo 18 anos), mirim e feminina (ambas com limite de 16 anos), iniciante (até 14 anos), estreante (sub12) e petit (10 anos para baixo).

O Hang Loose Surf Attack 2019 tem os patrocínios de Sthill, Super Tubes, Surf Trip, Kyw, Overboard Action Sports Store, Hot Water, Rhyno Foam e CT Wax. Apoios da Prefeitura Municipal de Guarujá, Associação de Surf de Guarujá (ASG), Governo do Estado de São Paulo/Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude, com divulgação de Waves e FMA Notícias. Organização da Federação Paulista de Surf.

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