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Relatório da ONU: Nossos Oceanos Viraram uma Lixeira de Plástico

Casey Tolan - CNN

Os resíduos de plástico nos oceanos estão causando 13 bilhões de dólares de danos aos ecossistemas marinhos a cada ano, afirmam os novos relatórios das Nações Unidas. Microplásticos menores do que cinco milímetros são os mais perigosos.

Uma série de novos relatórios sobre os danos que os resíduos de plástico estão fazendo aos oceanos são muito preocupantes - prejudicando animais marinhos, destruindo ecossistemas sensíveis, e contaminando os peixes que comemos.Mas os especialistas dizem que a solução para o problema não está no oceano, mas em terra. 

O Programa Ambiental das Nações Unidas, bem como as ONGs Global Ocean Commission e Plastic Disclosure Project, lançaram na segunda-feira relatórios alarmantes sobre o impacto ambiental destes detritos na vida marinha.

Os resíduos de plástico nos oceanos estão causando 13 bilhões de dólares de danos a cada ano, de acordo com o relatório do PNUMA, e esse número poderá ser muito maior. A produção de plástico em todo o mundo está projetada para atingir 33 bilhões de toneladas em 2050, e o plástico representa 80% do lixo nos oceanos e nas costas.

"Plásticos sem dúvida têm um papel crucial na vida moderna, mas os impactos ambientais da forma de como o usamos não pode ser ignorada", disse o Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner, em um comunicado de imprensa.

10 a 20 milhões de toneladas de plástico acabam no mar a cada ano, vindos do lixo, escoamento de aterros mal geridos, e outras fontes. Uma vez que cai na água, o plástico não se degrada mas quebra em pedaços menores e se acumula nos enormes giros oceânicos, criando superfícies salpicadas com o material.

Os cientistas estão especialmente preocupados com a crescente prevalência de minúsculos microplásticos que são menores do que 5 milímetros. Estes incluem microesferas, que são usadas ​​em pastas de dentes, gels, produtos de limpeza facial e outros bens de consumo. Microplásticos não são filtrados por estações de tratamento de águas residuais, e podem ser ingeridos por animais marinhos com efeito mortal.

Os detritos no oceano não são apenas uma questão ambiental - também complicaram a busca pelo vôo 370 da Malaysia Airlines no início deste ano, porque os detritos flutuantes confundiram as imagens de satélite.

O que pode ser feito?

É caro e ineficaz limpar detritos marinhos existentes. Pegar o lixo nas praias ou varrê-lo da superfície do oceano "não faz nada para resolver o problema na origem", disse Doug Woodring, o co-fundador da Ocean Recovery Alliance, a ONG por trás do Plastic Disclosure Project.

"Não é apenas um problema do oceano, é um negócio e uma questão municipal", disse Woodring. "O oceano é o ponto final de nossas atividades. A verdadeira solução está no início, no produtor e no usuário final."

Os governos podem ajudar a resolver o problema, regulando a utilização de plásticos e criando infra-estrutura para reciclá-los. Por exemplo, dezenas de países já proibiram sacolas plásticas em supermercados ou restringiram o seu uso.

Isso é um "bom começo", disse Ada Kong, um ativista do Greenpeace. Mas eles podem ir mais além, disse ela. "Os governos devem cumprir as leis para regular fabricação de cosméticos para rotular os ingredientes (de bens de consumo), incluindo todos os microplásticos".

O público em geral também pode estar consciente sobre o seu resíduo plástico, basta adquirir bens sem excesso de embalagens de plástico. As pessoas também devem separar seu plástico de outros resíduos e reciclá-lo, disse Woodring.

De resíduos a recursos

As empresas que produzem bens de plástico têm talvez a maior oportunidade de fazer a diferença, disse Woodring. Eles podem envolver seus clientes com programas de descontos ou de depósito, dando-lhes incentivos para trazer de volta os plástico para reciclagem.

"Tudo, desde garrafas a embalagens de alimentos, pode ser feito a partir de plástico reciclado", disse Woodring. "A tecnologia está lá hoje para reutilizá-lo." A sua organização está promovendo um "Fórum de Plasticidade" em Nova York na terça-feira com apresentações sobre como reutilizar de forma criativa o plástico.

O plástico não é apenas desperdício - é "um material valioso, comparando-se o preço do pêso vale mais do que o aço, e nós não capitalizamos isso hoje", disse Woodring.

Os novos relatórios vêm na véspera da primeira Assembléia das Nações Unidas para o Ambiente, em Nairobi, um fórum de ministros do meio-ambiente, cientistas e outros para discutir estratégias de combate às alterações climáticas e outros problemas ambientais. Uma conferência do oceano hospedada pelo secretário de Estado dos EUA John Kerry, em Washington, DC, na semana passada também se concentrou sobre a poluição marinha.

Talvez o maior sinal de que o problema é o rápido crescimento da Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um lençol de plástico maciço e outros detritos que circula um giro oceânico do Pacífico Norte.

Artigo traduzido da CNN

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