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Lombok - Nusa Tenggara Ocidental - Indonésia por Redação Surfguru

Raquel Heckert do Hawaii à Indonésia

"Ir para o Havaí sozinha a fim de treinar para pegar ondas grandes, aprender sobre a cultura, conhecer pessoas de todo o mundo, competir e trabalhar para pagar minhas coisas foram experiências que me fizeram uma pessoa muito mais forte..."

"Era meu sonho surfar Waimea e Pipeline, não podia estar mais feliz por realizá-­lo. No inicio da trip fiquei 15 dias em um hostel chamado “Plantation Village­ Backpakers”, depois um mês na casa de uma família americana que sentiu no coração em cobrar a metade do preço que eles cobram normalmente pelo quarto da casa deles, porque disseram que Deus colocou no coração deles de me ajudar. Após esse tempo, fiquei os últimos quatro meses no Havaí ajudando em uma igreja americana em troca da minha estadia. Foi maravilhoso, me ajudaram muito! Deus cuidou de mim e abriu portas durante toda a minha viagem.

Após essa maratona de seis meses no Havaí, conhecendo centenas de pessoas e tendo inúmeras experiências no mar embarquei para mais três meses pelas ilhas do arquipélago da Indonésia. Eu não tinha muito dinheiro, mas o fato de eu ter recebido uma premiação de 600 dólares em uma “Expression Session” feminina de ondas grandes no Havaí (que era um campeonato fechado, só para surfistas convidadas, mas que mesmo eu não estando na lista, compareci e pedi para entrar na competição) me ajudou muito. Não foi fácil, escrever agora parece que foi, mas eu estava cheia de vergonha, não conhecia ninguém da organização, só havia gringos e era minha primeira temporada no Havaí. Foi uma benção ter metido a cara e ter sido aceita, passei o dia surfando 12 pés incríveis, sem crowd, com todo surf com apoio de barcos jet ski com os mesmos guarda­vidas que fizeram a segurança do campeonato do Eddie Aikau e filmagem para um programa americano chamado: INSIGHT TV. Graças a Deus, e também ao fotógrafo e videomaker Bruno Lemos que mora no Havaí, que me alertou sobre o Expression Session, dizendo que seria maneiro de eu ir e me deu carona até o local, (foi muito bacana da parte dele) e também agradeço ao meu pastor do Brasil, Henrique Callado que mesmo sem saber, citou uma frase que li na internet dois dias antes da etapa que me deu maior incentivo, a frase dizia: “ Deus gosta que a gente tenha atitude”, essa frase não saiu da minha cabeça... Isso tudo me fez meter a cara antes de todas as meninas chegarem e pedir pra participar, essa premiação, mas o fato de eu ter trabalhado um tempo em um food truck me ajudou a seguir para minha segunda temporada na Indonésia.

Ao chegar em Bali surfei três dias na região de Canggu e já parti para um swell na ilha de Java, para o pico Watukarung, que anos atrás tinha sido capa da Revista Hardcore, mas na época era tido como “secret” então eu não tinha ideia de onde era o pico. Fiquei amarradona pela foto que mostraram que eu estava indo pro mesmo pico. A praia é como uma pequena baía que quebra uma direita e uma esquerda. As ondas funcionam de formas diferentes, porém ambas são pesadas; a esquerda é uma onda que funciona na maré seca e a direita na maré média enchendo. Na minha opinião a direita é uma das ondas mais difíceis que surfei na Indonésia, é bem rápida e o tubo bem em cima da onda, se não dropar do pico você perde o tubo. Gostei tanto do desafio da onda, que fui pra Bali e retornei em outro swell. Além das ondas serem desafiadoras, que me interessa, a vibe do lugar é muito boa, a maioria das crianças brincavam sem celulares, sem brinquedos só com a natureza e entre si, interagindo um com outro e as senhorinhas que pareciam ter mais de 100 anos e adultos sorriam todo tempo, cumprimentando com maior alegria mesmo que faltando uma porção de dentes na boca, Watukarung é um lugar muito especial.

Tempo depois, fui de carro com uns amigos para a Ilha de Sumbawa a fim de surfar Lakey Peak, no caminho caìmos em Yoyos e no retorno de Lakey Peak ficamos dois dias na Ilha de Lombok para pegar o swell que ia encostar em Desert Point. Saindo da Ilha de Bali até o pico de Lakey Peak (Sumbawa) são cerca de 20 horas pelo fato de termos que pegar dois ferry boats, um em torno de 4 horas de Bali a Lombok e outro de uma hora e meia de Lombok a Sumbawa.

Lakey Peak é animal, onda perfeita, crowd grande, mas eu não tive problema, graças a Deus peguei muita onda. Eu só dou a dica que se você quiser ir apenas para Lakeys, sem parar em outros picos, é melhor você ir de avião, pois a viagem de carro é muito cansativa. O fato de eu sempre dormir com o balanço do carro, acabei dormindo toda torta e por isso fiquei com uma dor sinistra na coluna. Haha Tive que dormir no chão da pousada, pagar massagem e tomar alguns comprimidos para conseguir surfar. Hahaha.

Yoyos é lindo, direitas perfeitas e tive a sorte de não pegar crowd. Pico que eu quero muito voltar para ficar um tempo a fim de explorar outras ondas que tem por perto, como Tropicales e quem sabe pegar um swell maneiro para surfar em Scar Reef e Super Sucks.

Desert Point

No primeiro dia em Lombok, eu e mais uma galera de surfistas pagamos uns locais para levar a gente em uma pequena ilha perto da costa a fim de pegar umas ondas até dar a melhor maré para cair em Desert. Mas na volta do surf perdemos a chave do carro por horas, hahaha e quando encontramos nos perdemos por cerca de 20 minutos de carro, até pegar a estrada certa para pegar o swell em Desert. Ficamos tristes, porque já ia escurecer, e o mar estava super clássico. Estava que nem os dias que só vemos em filmes de surf, tubos longos, grandes, e surfistas emendando a sessão inteira do “point” até o Grower, mas faltava coisa de 40 minutos para escurecer, eu não quis nem saber, queria tanto cair que fui assim mesmo. Eu estava com medo, porque estava ficando escuro e seria ruim para sair do mar, também pelo fato de que eu era backside em um pico pesado que eu nunca havia surfado, o que torna mais dificil pra pouco minutos de surf, sem contar que estava bem grande. Hahah Mas eu fui, remei bastante pra me manter no pico, mas o crowd estava forte e todos queriam pegar a “saideira “ porque estava ficando escuro, resultado: Não peguei uma onda, e tive que sair remando no escuro, haha mas foi animal só de estar lá dentro. Lindo demais! No dia seguinte o mar deu uma baixada, não tinha muito tubo, mas as esquerdas estavam bem longas e manobráveis, fiquei apaixonada pelo pico.

Após um tempo em Sumbawa, voltei a Bali na missão de surfar Padang e pegar um swelll grande em Uluwatu, já tinha pegado bastante onda por lá, mas não quebrando no meio do oceano.

Uluwatu grande, não é fácil, mas é muito gratificante, você sai da água se sentindo um “herói sobrevivente”. Haha Você faz a remada da vida para pegar onda, Haha mas faz o drop da trip também. Como você precisa de uma “gunzeira” com remada, não há como furar a onda, então você tem de deixar as bombas do pico do “outside corner” te varrer até o canal, para ai sim você começar a remar contra a persistente correnteza até o pico. Eu surfei o pico de Bomies, com uma 7'2, mas eu estava sentindo que faltava prancha, graças a uns dos “coroas” estavam surfando com pranchas de 8.6, 9'2, me emprestou uma 8'1 pra cair, serviu como uma luva, peguei altas, agradeci muito. Depois acabei dando uma trincada na prancha, consertei e devolvi. Haha Eles ficaram amarradões em me ver surfando Uluwatu grande, eles falaram que há muito tempo não viam uma mulher caindo lá.

Padang na minha estreia foi um dia com mais brasileiros do que locais, estava mó clima bom, a “session” estava surreal, coloquei pra dentro de vários tubos, mas a leitura do tubo de backside não era tão fácil quanto parecia. Ao mesmo tempo que o tubo é muito perfeito, nenhuma onda é igual, então cada onda é preciso acelerar e atrasar no seu devido tempo, por isso que eu usei prancha pequena para o pico, para ter bastante mobilidade.. “Morri” dentro de várias cracas, Hahaha fiz a cabeça. Esse pico estava na minha lista das ondas dos sonhos, me senti abençoada em estar lá e caí duas outras vezes. E em alguns dias teria o Rip Curl Cup Padang, queria muito estar lá para assistir.

Nessa viagem fui duas vezes para Keramas, mas acabei não pegando bom. Mas sempre é bom surfar umas direitas, porque maior parte das ondas em Bali são esquerdas. Tempo depois, 16 dias em Nias! Achei que não ia conseguir ver esta onda nesta viagem... Mas graças a Deus, deu tudo certo! Ia ficar dois meses na Indonésia, acabei mudando para mais um mês só para embarcar com uma amiga para o pico. Eu estava precisando de prancha e um gringo me deu uma prancha 6.0 e o amigo dele me deu uns 250 dolares, que me ajudou muito na viagem até Nias.

Fui até Kuala Lampur (Malásia) para renovar meu visto e depois peguei mais dois voos até Sumatra (Nias). Cheguei com altas ondas, e uma previsão de entrar uma bomba. Haviam muitos profissionais como Lucas Silveira, Aritz Aranburu, Leo Fioravanti, entre outros feras. Todavia, na tarde anterior ao massivo swell, tomei uma pranchada violenta da minha própria prancha no rosto, não sei como não apaguei, sai tonta do mar e com muita dor, as pessoas me faziam perguntas, mas eu não conseguia responder nada. Fiquei mais de uma semana com os dentes sensíveis, alguns dias de dor de cabeça, rosto inchado e nariz sangrando, como não tinha plano de saúde internacional só orei para que não tivesse sido nada sério. Haha Acabei ficando fora no maior dia do swell. Mas o dia seguinte eu não aguentei e tive que ir para água. Coloquei o capacete pra dar uma sensação de segurança e fui. Foi o dia que mais me senti frágil na minha vida, tinha altos tubos, mas demorei um bom tempo para começar a me tacar, foi uma sensação muito estranha. Graças a Deus pude surfar normalmente os outros dias da viagem, podia ter sido muito pior.

Após Nias, voltei para Bali e no dia seguinte já embarquei para outro swell em Desert point, peguei umas ondas, mas não estava como a primeira vez que fui. Desert é um lugar muito especial, o treino sempre é válido.

Ao retornar a Bali fiquei surfando Uluwatu, Greenbowl, Keramas até o dia da minha volta pra o Rio. A temporada foi alucinante, Indonésia e a Hawaii, são como pedaços de céu para mim, agradeço muito a Deus e a todos que me ajudaram pelo caminho.

Há alguns meses comecei a usar no meu Instagram, “@raquelheckert_” o uso do hashtag #diariodeumasecura onde conto sobre minhas viagens, incentivo as pessoas a seguirem seus sonhos, dou dicas e procuro fazer com que através das minhas experiências de vida as pessoas sentem impulso para sair da zona de conforto. Sem Deus nada na minha vida seria possível, porque ele que me dá o fôlego de vida para correr atrás dos meus sonhos sem desistir em meio as diárias dificuldades.

Eu queria ir ao México neste mês a fim de treinar mais, mas como ainda estou sem patrocínio, estou na missão de conseguir suportes para próxima temporada Havaiana." 

Email: raquelprosurfer@gmail.com

Instagram: @raquelheckert_

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